PT e bolsonarismo antecipam guerra digital das eleições de 2026
Com empate de Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas, partidos intensificam estratégias nas redes sociais, com ataques, defesa de legado e tentativa de ampliar alcance eleitoral antes da campanha oficial
Ainda em período de pré-campanha, a corrida eleitoral de 2026 ainda não começou oficialmente. Porém, a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o campo bolsonarista, dessa vez representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já começou a ser travada nas redes sociais. A antecipação da batalha digital, com troca de ataques e campanhas coordenadas, sinaliza que a polarização irá se repetir nas mídias digitais e, possivelmente, se intensificar.
O gatilho mais recente para a ofensiva virtual veio de pesquisas eleitorais que apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, que é o pré-candidato com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Levantamentos indicam equilíbrio não apenas na intenção de voto, mas também na percepção do eleitor sobre temas centrais como economia, segurança e combate à pobreza. O cenário acendeu o alerta nas duas campanhas.
Pelo lado governista, a avaliação é que o descuido na comunicação digital no início do ano abriu espaço para o avanço da oposição. A avaliação na cúpula do Palácio do Planalto é de que o grupo lulista demorou a reagir a crises exploradas nas redes e falhou em construir uma agenda positiva capaz de engajar sua base. Como resposta, o PT passou a estruturar uma ofensiva mais agressiva.
Recentemente, um vídeo do secretário de Comunicação do partido, Eden Valadares, tenta relativizar o impacto das pesquisas eleitorais. “Quem está na frente comemora, quem está atrás se desespera. Mas pesquisa é foto de momento. Não é razão nem para alegria, nem para agonia”, disse o petista. A rodada da Genial/Quaest da última semana mostrou um empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno.
A ofensiva digital petista também tem visado atacar o histórico de Flávio e desconstruir o discurso anticorrupção da família Bolsonaro. Segundo o jornal O Globo, algumas das próximas pílulas digitais do partido devem resgatar o suposto esquema de ‘rachadinhas’, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na época em que o senador era deputado estadual.
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Além disso, o PT tem defendido o governo Lula das críticas pela alta do diesel, relembrando ações do governo Bolsonaro. Em um dos vídeos publicados no perfil oficial da sigla no Instagram, o partido ressalta as privatizações de refinarias da Petrobras que aconteceram na gestão do ex-presidente.
Na contramão da ofensiva petista, a estratégia digital de Flávio e do PL tem sido na divulgação dos eventos do partido ao redor do País, sobretudo os com participação do senador. Publicações que mostram a interação de Flávio com o eleitorado durante eventos políticos do PL e de lançamento de pré-candidaturas estaduais tornaram-se comuns nas redes do partido e do parlamentar.
A estratégia de popularização do nome do senador já começou. Além disso, a tática digital busca aproximação com o eleitorado nordestino, historicamente ligado a Lula. No último fim de semana, Flávio esteve no Rio Grande do Norte e na Paraíba. No RN, o senador participou da filiação do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, ao PL e do lançamento de sua pré-candidatura ao governo estadual. Em solo paraibano, Flávio filiou o senador Efraim Filho e também o lançou ao governo estadual.
A tentativa de aproximação com o eleitorado nordestino é acompanhada por um carrossel de fotos no Instagram com uma música típica da região e com o slogan “Nordeste é solução!”, estampado em camisas utilizadas pelo senador e apoiadores.