quinta-feira, 24 de setembro de 2026
GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

Israel e Irã trocam ataques após anúncio de Trump sobre negociações

Após declarações de Trump sobre possível acordo, Israel e Irã intensificam ataques e elevam tensão no Oriente Médio

Lalice Fernandespor em
Presidente norte-americano fala em diálogo enquanto Teerã nega qualquer movimentação
Presidente norte-americano fala em diálogo enquanto Teerã nega qualquer movimentação (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã entrou em nova fase de intensificação na terça-feira (24), com ataques simultâneos, aumento da pressão militar e sinais de possível ampliação do conflito para outros países do Oriente Médio. A escalada ocorre em meio a contradições sobre negociações e produz impactos no mercado global.

O Irã lançou uma nova onda de mísseis contra Israel, acionando sirenes em Tel Aviv. Um prédio residencial foi atingido e sofreu danos estruturais, com aberturas no teto e nas fachadas. Equipes de resgate foram mobilizadas para procurar civis sob os escombros, enquanto moradores se abrigavam em áreas próximas.

Ataques israelenses atingem Teerã após Trump citar negociações

O ataque ocorreu após a ofensiva israelense realizada no dia anterior. Na segunda-feira (23), caças de Israel atingiram alvos no centro de Teerã, incluindo estruturas ligadas à inteligência e à Guarda Revolucionária Islâmica, além do Ministério da Inteligência. Segundo as Forças Armadas, mais de 50 pontos foram bombardeados durante a noite, entre eles locais de armazenamento e lançamento de mísseis balísticos. Explosões foram registradas em diferentes áreas da capital iraniana, com acionamento da defesa aérea.

Os ataques ocorreram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar na segunda-feira de manhã, que houve conversas “muito boas e produtivas” com o objetivo de encerrar o conflito no Oriente Médio. O presidente norte-americano indicou ainda que pode adiar por cinco dias um plano de ataque a usinas de energia do Irã, condicionando a decisão a movimentos estratégicos de Teerã, incluindo a situação no Estreito de Ormuz, rota essencial para o transporte global de petróleo.

A declaração foi rejeitada por autoridades iranianas, que negaram qualquer negociação e classificaram como falsas as informações sobre contatos com representantes norte-americanos.

Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que “Trump acredita que existe uma oportunidade de aproveitar as enormes conquistas que alcançamos com as forças armadas dos EUA para concretizar os objetivos de guerra do acordo”. Ao mesmo tempo declarou que as operações vão continuar: “Nós estamos destruindo o programa de mísseis e o programa nuclear. Vamos garantir nossos interesses vitais em qualquer cenário”.

Premiê israelense conversa com Trump após declarações sobre negociações entre Washington e Teerã
Premiê israelense conversa com Trump após declarações sobre negociações entre Washington e Teerã (Foto: Reprodução)

A divergências de declarações e ações refletem no mercado internacional. O preço do petróleo voltou a subir diante das incertezas sobre uma solução diplomática e do temor de interrupções no fornecimento global. Na segunda-feira, após as declarações norte-americanas sobre um possível acordo, o preço do petróleo havia registrado uma baixa.

Países do Golfo Pérsico avaliam entrar no conflito

Ainda, a tensão se estende para além dos três países diretamente envolvidos. Segundo a Bloomberg, países do Golfo Pérsico avaliam a possibilidade de entrar no conflito ao lado de Washington e Tel Aviv. A decisão dependeria de ataques iranianos a infraestruturas críticas, como usinas de energia e instalações de dessalinização.

Na região, cresce a insatisfação com os ataques realizados por Teerã desde o início da guerra, no fim de fevereiro. Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos têm adotado discurso mais duro. Outros, como o Catar, defendem a busca por formas de convivência. O Omã está entre os que mantêm distância de uma possível escalada.

Desde o início dos confrontos, o Irã tem realizado ataques contra países do Golfo que abrigam bases militares dos Estados Unidos, considerados alvos no conflito. De acordo com a Bloomberg, quase 5 mil mísseis e drones já foram lançados nessas ações.

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