Preços dos pedágios entre Goiânia e Itumbiara terão aumento nesta semana
Novas tarifas chegam a R$ 124,80 e entram em vigor no dia 26 de março, em meio a críticas sobre segurança e conservação da via
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou uma nova tabela de preços dos pedágios da BR-153, trecho importante para o transporte de cargas do estado. Ao mesmo tempo em que esse aumento acontece, a qualidade da via é questionada, principalmente por levantamento da Confederação Nacional de Transportes (CNT).
No dia 16 de março, a empresa Way-153 anunciou os aumentos em seus pedágios, com o maior valor chegando a R$ 124,80. Atual responsável pela concessão da parte sul da rodovia, que abrange o trecho de Piracanjuba e Itumbiara, quase dobrou os valores para carros e caminhões que percorrem o trecho. Os preços entram em vigor a partir do dia 26 de março.
Ao longo dos próximos 30 anos de concessão, estão projetados investimentos superiores a R$ 10 bilhões no trecho sob administração. Entre as intervenções previstas estão ações iniciais de recuperação do pavimento, melhorias nas condições das pistas, serviços de roçagem nas margens da rodovia e a implantação de nova sinalização horizontal e vertical.
O contrato de concessão também inclui a duplicação de 42 quilômetros de via, a implantação de 31,8 quilômetros de faixas adicionais, além da construção de passarelas, acessos, pontos de parada para transporte coletivo e estruturas destinadas à travessia segura da fauna ao longo do percurso.
Aumento na contramão da qualidade
Com o aumento da taxa de pedágio, algo que pode ser questionado é se a qualidade da via irá melhorar a partir dessa nova tarifa. No ano de 2025, a BR-153 foi apontada no Guia de Segurança nas Rodovias Brasileiras, da Confederação Nacional de Transportes (CNT), como a rodovia federal mais perigosa de Goiás, com 91 mortes e 973 acidentes ao longo do ano.
Nesse sentido, o professor do Instituto Federal de Goiás (IFG) e especialista em mobilidade urbana, Marcos Rothen, explica que é normal as pessoas se sentirem lesadas neste primeiro momento do aumento, mas que, se a concessionária de fato implementar as melhorias, a população pode mudar sua opinião. “Essa reação é normal, principalmente no caso da BR-153, uma via onde se cobra pedágio há muitos anos e as melhorias não são percebidas. À medida que o concessionário realiza melhorias significativas, os motoristas, principalmente os que transportam cargas, passam a aceitar melhor o pagamento do pedágio”, acrescenta.
Outro ponto que deve receber atenção com esse aumento é o uso de rotas alternativas por parte dos motoristas, com a intenção de fugir dos pedágios. Na visão de Rothen, essa não será uma saída utilizada pela grande maioria das pessoas que trafegam nesse trecho, por conta da dificuldade e da falta de conhecimento para usar rotas alternativas.
“Mas é preciso atenção das autoridades para o caso de haver um aumento em alguma rota alternativa, principalmente por parte dos caminhões, o que pode causar danos a vias que não estão preparadas para receber veículos pesados”, ressalta o especialista no caso de algum aumento repentino no uso de algum novo trajeto.
Impacto no transporte de cargas
A rota da BR-153, que passa por Itumbiara, é um importante ponto de escoamento da produção goiana que busca os portos do Sudeste para a exportação. Para esse caso, o especialista não vê a possibilidade de um aumento nos custos operacionais para grandes produtores, uma vez que transportam uma grande quantidade. “Para os pequenos produtores, a influência do preço do pedágio é mais significativa, mas, se a estrada melhorar de forma significativa, o custo do pedágio terá um impacto menor”, finaliza.
Leia também:
Receita Federal antecipa programa do IR 2026 e libera preenchimento antes do prazo