Conflito no Oriente Médio causa alta nos fertilizantes e pressiona produtores goianos
Em um período de 30 dias, insumos importantes para produção de fertilizantes apresentam saltos de quase 50%
Nas últimas semanas, os olhos do mundo estão voltados para os acontecimentos no Oriente Médio, desde o início do conflito entre Estados Unidos (EUA) e Israel contra o Irã. O impacto mais discutido e sentido em todo o mundo foi o aumento dos combustíveis fósseis e do gás natural, por conta da reação do país árabe de fechar o Estreito de Ormuz, principal ponto de passagem de petróleo e gás daquela região.
No Brasil, as autoridades iniciaram as tentativas de conter a crescente do óleo diesel, que pressiona toda a cadeia logística e de transporte por malha rodoviária. Porém, um novo ponto tem exigido atenção: os fertilizantes, que derivam de insumos produzidos na região de conflito atual.
Com a escalada do conflito e o fechamento do Estreito de Ormuz, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural está sendo afetada. A partir dessa situação, uma escalada no preço da ureia e do enxofre desencadeou um aumento no custo de produção dos fertilizantes, já que esses dois componentes são insumos importantes.
Em um período de 30 dias, o enxofre e a ureia tiveram um salto de 30,11% e 45,88% respectivamente, com salto acumulado de 100,8% e de 79,2%, de acordo com dados da plataforma Trade Economics, presentes na coluna Econômica, do jornalista Lauro Veiga Filho, na edição do jornal O HOJE, da última terça-feira (24). Esse aumento em um curto período de tempo fragiliza o agronegócio brasileiro, em especial o goiano.
O Estado de Goiás depende diretamente desses insumos e fertilizantes para sua produção de grãos e de proteína animal. A subsecretária de Agricultura Familiar, Produção Rural e Inclusão Produtiva, da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), Glaucilene Carvalho, destacou que do valor total importado no ano de 2025, cerca de 10,8% vieram do Oriente Médio, algo em torno de R$ 462 milhões.
Os principais países que fornecem seus produtos para o Estado são: Catar, Israel, Omã e Bahrein, que estão envolvidos diretamente ou estão na zona de conflito. Por conta disso, na visão do zootecnista e consultor financeiro Fabiano Tavares, o momento é de cautela e de atenção redobrada para os produtores. Segundo ele, o aumento dos fertilizantes dificulta o planejamento da próxima safra. Ele ressalta que essa situação compromete a previsibilidade e requer um controle financeiro mais rigoroso nas propriedades rurais.
Nessa situação de incerteza, a saída pode ser importar esses insumos de outros países. Goiás possui outras opções de fornecedores, dentre eles destacam-se Canadá, Nigéria, EUA, Alemanha, Argélia e Marrocos. Mas além de buscar soluções fora do País, outra possibilidade é a compra de adubos produzidos no território nacional e o uso de bioinsumos.
Glaucilene também levantou uma questão sobre a produção de bioinsumos dentro do Estado. “Vale destacar que Goiás tem avançado como referência no desenvolvimento de bioinsumos, com investimentos, estruturação de centros de pesquisa e formação de profissionais na área”, acrescentou.
Medidas para auxiliar produtores
Com a pressão de preços elevados nos fertilizantes, somado a alta do diesel, os produtores sofrem com margens menores. Para tranquilizar essa classe, a subsecretária ressalta que “o Governo de Goiás e a Seapa atuam no fortalecimento das relações comerciais já existentes e ampliação de novos mercados, ao mesmo tempo em que mantêm políticas de acesso ao crédito rural para assegurar liquidez, capacidade de investimento e continuidade da produção pelos produtores do Estado”.
Além disso, de acordo com ela, a Seapa acompanha de forma contínua os impactos nos custos de produção e mantém o monitoramento do cenário para o Estado. E, no momento, os produtores rurais dispõem de ferramentas como o FCO Rural, que oferece crédito para custeio e investimento. Esses recursos são importantes para apoiar a cadeia agrícola em Goiás.