MotoGP em Goiânia tem sucesso de público, mas bares e restaurantes registram queda no faturamento
Apesar da visibilidade internacional e da organização elogiada, maioria dos estabelecimentos teve desempenho abaixo do esperado durante o evento, aponta Sindibares
A realização do MotoGP em Goiânia foi, sem dúvida, um marco histórico para a capital. Trata-se de um dos maiores eventos do mundo, executado com excelência e que projeta a cidade definitivamente no cenário internacional dos grandes destinos de eventos.
Estão de parabéns todos os envolvidos: o Governo do Estado, responsável pela captação, investimentos e adequação do Autódromo; a Prefeitura de Goiânia, pelo apoio institucional; e toda a cadeia do turismo — hotéis, bares e restaurantes — que deram um verdadeiro exemplo de hospitalidade, acolhendo com qualidade e respeito todos os visitantes.
No entanto, apesar do inegável sucesso do evento sob a ótica institucional e de visibilidade, os resultados econômicos para o setor de bares e restaurantes ficaram muito aquém do esperado.
Pesquisa interna realizada pelo Sindibares, com a participação de 800 estabelecimentos associados, revelou um cenário preocupante.
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40% dos estabelecimentos não registraram qualquer alteração no faturamento. Outros 50% tiveram queda nas vendas, sendo que 26% apontaram redução superior a 20% em comparação a um final de semana comum. Apenas 10% relataram aumento no faturamento.
Ou seja, a grande maioria do setor, mesmo após forte preparação, não conseguiu capturar os benefícios econômicos esperados de um evento dessa magnitude.
Importante destacar que os empresários atenderam ao chamado da cidade: reforçaram equipes, ampliaram estoques, investiram em capacitação, traduziram cardápios para outros idiomas, contrataram profissionais extras e até intérpretes. Ainda assim, o resultado financeiro foi, de forma geral, frustrante.
Diante disso, é fundamental apontar alguns fatores que, na avaliação do setor, impactaram diretamente esse desempenho e que precisam ser revistos para os próximos grandes eventos.
A decretação de ponto facultativo amplo, por órgãos estaduais, municipais e do Judiciário, em plena sexta-feira, criou um feriado prolongado que estimulou a saída massiva de moradores da cidade. A estimativa do setor é de que mais de 300 mil goianienses tenham deixado a capital, enquanto cerca de 150 mil turistas chegaram, gerando um saldo negativo significativo de consumidores locais.
As interdições viárias excessivas, especialmente na GO-020, também comprometeram o deslocamento da população, sobretudo de regiões como Alphaville e Jardins. Avalia-se que corredores exclusivos para acesso ao autódromo seriam suficientes, sem a necessidade de restrições tão amplas.
O fechamento de acessos estratégicos, como o viaduto entre Alphaville e Jardins, gerou desconforto e desestimulou a circulação de moradores, incentivando o comportamento de permanecer em casa durante o evento.
Outro fator foi a concentração do consumo no Autódromo. Observou-se que grande parte dos turistas permaneceu no local durante todo o dia, consumindo dentro da própria estrutura e camarotes, com pouco impacto no restante da cidade.
Além disso, o excesso de eventos gratuitos descentralizados dispersou o público e reduziu ainda mais o fluxo direcionado aos estabelecimentos gastronômicos.
Diante desse cenário, o setor reforça que Goiânia demonstrou plena capacidade de sediar um evento dessa magnitude, com organização e excelência. No entanto, ajustes são fundamentais para garantir que toda a cadeia produtiva seja efetivamente beneficiada.
Em especial, é importante reavaliar a política de ponto facultativo amplo, que, além de representar elevado custo aos cofres públicos, compromete serviços essenciais e reduz significativamente a atividade econômica local.
Assim, ao mesmo tempo em que se celebra o sucesso do MotoGP em Goiânia, fica o registro de uma contribuição construtiva para que, nas próximas edições, o setor de bares e restaurantes possa participar de forma mais efetiva dos resultados econômicos gerados por um evento dessa relevância.