quarta-feira, 25 de março de 2026
Alterações das regras

Novo teto do Minha Casa, Minha Vida amplia acesso à moradia em Goiás

Reajuste nas faixas de renda do Minha Casa, Minha Vida e no valor dos imóveis deve incluir mais famílias no programa, enquanto Estado já registra avanço nas entregas habitacionais

Letícia Leitepor Letícia Leite em 25 de março de 2026
10 abre Minha Casa Minha Vida Foto Ricardo Stuckert PR
O avanço na habitação contribui para reduzir o déficit. Foto: Ricardo Stuckert PR

O acesso à moradia em Goiás deve ganhar novo fôlego com a atualização das regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), aprovada nesta terça-feira (24) pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A ampliação do limite de renda das faixas e o aumento do teto dos imóveis prometem incluir mais famílias no programa, especialmente aquelas que estavam no limite entre uma faixa e outra e, até então, tinham acesso a condições menos vantajosas de financiamento.

A principal mudança atinge a Faixa 1, que passa a contemplar famílias com renda de até R$ 3.200 mensais, um aumento de 12%. Com isso, parte dos beneficiários que antes se enquadravam na Faixa 2 migram para condições mais favoráveis, com juros menores e maior subsídio. As demais faixas também foram reajustadas: a Faixa 2 sobe para R$ 5 mil, a Faixa 3 para R$ 9.600 e a Faixa 4 para R$ 13 mil.

Outra alteração relevante é o aumento no teto do valor dos imóveis. Para as faixas 3 e 4, os limites passam a ser de R$ 400 mil e R$ 600 mil, respectivamente, ampliando as possibilidades de financiamento e acesso ao mercado formal de habitação, sobretudo para famílias de renda intermediária.

A expectativa do governo federal é que cerca de 87,5 mil famílias brasileiras sejam beneficiadas diretamente com a medida, seja pela redução das taxas de juros ou pela inclusão em novas faixas. Em Goiás, onde a demanda por moradia ainda é significativa, o impacto deve contribuir para ampliar o alcance da política habitacional.

Os novos parâmetros chegam em um cenário de crescimento nas entregas de moradias no Estado. Entre 2023 e o início de 2026, Goiás contabiliza 109,2 mil unidades habitacionais concluídas pelo programa, com evolução ano a ano: foram 28,6 mil em 2023, 36,6 mil em 2024 e 40,1 mil em 2025. Nos primeiros meses de 2026, outras 3,9 mil unidades já foram entregues.

Além das entregas, o volume de contratações reforça esse movimento. No mesmo período, 145 mil unidades foram contratadas em Goiás, com investimento estimado em R$ 22 bilhões. O dado indica não apenas maior acesso à moradia, mas também impacto econômico, com estímulo ao setor da construção civil e geração de empregos.

“O Minha Casa, Minha Vida foi o grande motor do setor da construção civil em 2025. Esses números são importantes e devem ser ressaltados a cada dia porque o programa, além de levar moradia digna a quem mais precisa, também é responsável pela geração de emprego no país”, afirma o ministro das cidades do Brasil, Jader Filho. De acordo com dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc-Fipe), 85% de todos os lançamentos construídos no Brasil são do programa.

Em Goiás, o avanço do Minha Casa, Minha Vida é complementado pelo Pra Ter Onde Morar

No âmbito estadual, o avanço é complementado por iniciativas como o programa Pra Ter Onde Morar, vinculado ao Aluguel Social. A política atua em diferentes frentes, incluindo a entrega de casas a custo zero para famílias em situação de vulnerabilidade e a concessão de auxílio aluguel, ampliando o alcance das ações habitacionais no Estado.

A combinação entre políticas federais e estaduais tem permitido atender diferentes perfis de renda e ampliar o número de beneficiados. Outro ponto observado por analistas do setor é que o aumento do teto dos imóveis pode estimular novos lançamentos em faixas de renda intermediária, o que tende a diversificar a oferta habitacional em Goiás. Ao mesmo tempo, há o alerta de que é necessário garantir equilíbrio entre expansão do crédito e capacidade de pagamento das famílias, para evitar endividamento excessivo.

Programas complementares, como o aluguel social, também seguem como estratégia importante para atender famílias que ainda não conseguem acessar o financiamento habitacional. Esse tipo de política funciona como porta de entrada para a moradia digna e ajuda a reduzir situações de vulnerabilidade imediata.

Com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida e o reforço de iniciativas estaduais, Goiás consolida um cenário de avanço no acesso à casa própria. O desafio, a partir de agora, será manter o ritmo de crescimento com qualidade, garantindo que a moradia venha acompanhada de infraestrutura, serviços e oportunidades, de forma a promover inclusão social de maneira mais ampla e sustentável.

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