quarta-feira, 25 de março de 2026
rouquidão

Remédios comuns podem danificar a voz de forma irreversível

O uso indiscriminado de hormônios e medicamentos rotineiros compromete as cordas vocais e pode causar rouquidão permanente

Luana Avelarpor Luana Avelar em 25 de março de 2026
voz
foto: divulgação

Uma mulher chega ao consultório reclamando de rouquidão persistente. Não tem febre, não teve gripe, não forçou a voz. O que ela tem, e muitas vezes desconhece, é uma receita com testosterona para fins estéticos. O quadro, cada vez mais comum nos consultórios de otorrinolaringologia, escancara um problema silencioso: medicamentos rotineiros e hormônios podem causar danos irreversíveis à voz, e a maioria das pessoas só descobre quando já é tarde.

“Essa situação do uso indiscriminado dos hormônios tem chamado a atenção. Temos visto várias sociedades médicas especializadas se posicionando contra”, alerta a otorrinolaringologista Juliana Caixeta.

Quando o hormônio muda a voz para sempre

Os chips da beleza, implantes hormonais subcutâneos que liberam testosterona ou outros hormônios de forma contínua, viraram febre estética no Brasil. A laringe feminina é extremamente sensível a qualquer andrógeno, independentemente da forma de administração. A médica explica que o uso de hormônios masculinos, como a testosterona, pode levar a alteração da voz de forma irreversível para o paciente, isso acontece devido à hipertrofia do músculo vocal, afetando permanentemente a estrutura da laringe e prejudicando a saúde vocal do paciente.

Os primeiros sinais costumam ser sutis: sensação de peso na garganta, instabilidade vocal e dificuldade para alcançar notas agudas. Estudos indicam que essas mudanças podem aparecer após poucas semanas, e o risco aumenta significativamente entre oito e doze semanas de uso contínuo. 

“É comum chegarem mulheres nas consultas reclamando que estão roucas e muitas vezes é por conta do uso de hormônios, especialmente a testosterona para fins estéticos”, relata Caixeta. “Por isso, é fundamental buscar avaliação médica especializada, otorrinolaringologista e endocrinologista, antes de iniciar qualquer terapia hormonal com testosterona para monitorar possíveis efeitos colaterais”, orienta a médica.

O remédio que ninguém associa à rouquidão

A disfonia medicamentosa afeta silenciosamente quem usa medicamentos comuns. Anti-histamínicos, diuréticos, corticoides inalatórios, antidepressivos, anti-hipertensivos e anticoncepcionais hormonais estão na lista dos fármacos associados a alterações vocais. O mecanismo mais frequente envolve o ressecamento das pregas vocais: muitos desses medicamentos reduzem a produção de saliva e, sem essa lubrificação natural, a vibração das cordas vocais é prejudicada.

O cenário é agravado pela automedicação, praticada por 90% dos brasileiros segundo pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) de 2024. Quase ninguém associa a rouquidão ao comprimido tomado horas antes. Segundo a especialista, quem faz uso contínuo de medicações deve observar sinais como mudança no timbre e esforço ao falar. “Se esses sintomas persistirem por mais de 15 dias, é fundamental comunicar o médico responsável pela prescrição”, destacou.

Quem mais precisa se proteger

Cantores, locutores e jornalistas são os mais vulneráveis, mas cerca de 80% das pessoas dependem da fala para executar suas atividades diárias, o que torna o problema muito mais amplo do que parece. Idosos formam outro grupo de risco, tanto pelo uso frequente de medicamentos quanto pelas mudanças anatômicas naturais do envelhecimento.

Um ponto é inegociável: os pacientes não devem interromper o uso de medicamentos por conta própria. “A rouquidão impacta diretamente a qualidade de vida, pois a voz é nossa principal forma de comunicação”, ressalta Caixeta. Quando detectados cedo, os danos são reversíveis. Quando negligenciados, podem comprometer de forma definitiva a principal ferramenta de comunicação humana.

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