segunda-feira, 26 de outubro de 2026
MAUS-TRATOS

Mulher é indiciada por queimar cachorro comunitário em Goiânia

Investigação reúne laudos, imagens e depoimentos. O caso gerou revolta e mobilização por justiça, e, se condenada, a suspeita de queimar o cachorro pode pegar de 2 a 5 anos de prisão

Letícia Leitepor em
Mulher é indiciada por queimar cachorro comunitário em Goiânia
O cachorro Johnny segue internado em estado grave. Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil de Goiás (PC-GO) indiciou, nesta quinta-feira (26), a moradora de Goiânia Cacilda Ferreira de Almeida pelo crime de maus-tratos contra um cachorro comunitário, após a conclusão do inquérito que apurou o ataque ocorrido no início de março, no Setor Castelo Branco. O animal, conhecido como Johnny, permanece internado em uma clínica veterinária particular e ainda apresenta risco em razão da gravidade dos ferimentos.

O caso aconteceu no dia 5 de março e ganhou repercussão após imagens de câmeras de segurança mostrarem o momento em que o cachorro estava deitado na calçada, sem qualquer reação, quando a mulher saiu de casa com um recipiente e despejou um líquido quente sobre ele. Logo após ser atingido, o animal correu e gritou de dor, cena que gerou forte comoção entre moradores da região e internautas.

De acordo com a investigação, a materialidade do crime foi comprovada por meio de vídeos, depoimentos de testemunhas e laudos periciais. A polícia destacou que as imagens evidenciam a formação de vapor no momento do ataque, o que indica a alta temperatura da substância utilizada, também ressaltou que o animal não apresentou qualquer comportamento agressivo que pudesse justificar a ação.

Cachorro sofreu queimaduras de 1º, 2º e 3º grau

cachorro
Foto: Reprodução

O exame de corpo de delito apontou que Johnny sofreu queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus em cerca de 40% da parte superior do corpo. Em decorrência das lesões, o cachorro desenvolveu uma infecção secundária e apresentou complicações graves, o que exigiu internação com suporte de oxigênio. Apesar dos cuidados, o quadro clínico ainda inspira atenção e demanda acompanhamento contínuo da equipe veterinária.

Durante o andamento das investigações, a suspeita chegou a negar o crime. Posteriormente, conforme informado pelo advogado que a representava à época, Washington Soares, ela confessou à TV Anhanguera ter jogado o líquido no animal e afirmou estar arrependida. “Ela reconhece a ação que cometeu, está arrependida. Nada justifica, nós sabemos tudo, mas nós estamos falando de uma senhora de quase 65 anos que não tem conhecimento técnico e formal, sobre realmente o que ela fez. Mas ela está arrependida e está psicologicamente abalada”, declarou o defensor em entrevista.

A agressão provocou indignação e mobilizou protetores de animais, que realizaram um protesto em frente à delegacia responsável pelo caso, cobrando responsabilização da autora. O episódio também reacendeu o debate sobre a violência contra animais e a importância da denúncia por parte da população diante de qualquer sinal de abuso.

Após o ataque, Johnny foi socorrido por moradores da região e recebeu os primeiros cuidados com ajuda de vizinhos, entre eles a família da moradora Cláudia Oliveira. Segundo relatos, o cachorro apresentava feridas abertas, perda de pelo e sinais evidentes de dor intensa. Nos primeiros dias após o resgate, o animal chorava de forma constante, o que exigiu revezamento entre os cuidadores para garantir assistência durante a noite.

A equipe veterinária responsável pelo atendimento informou que as lesões são compatíveis com a posição em que o animal estava no momento da agressão, o que reforça a conclusão de que ele não teve possibilidade de defesa. Ainda segundo os profissionais, além do risco de infecções, há preocupação com possíveis complicações sistêmicas, incluindo comprometimento renal e agravamento do estado geral de saúde.

Outro ponto destacado pelos investigadores é que a prática de maus-tratos contra animais domésticos ou domesticados é considerada crime qualificado pela legislação brasileira. A pena prevista pode ser ampliada em casos em que há agravantes, como sofrimento intenso ou risco de morte, situações observadas no caso de Johnny.

Com o indiciamento, o caso segue agora para análise do Ministério Público, que deverá decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça. Caso seja condenada, a mulher pode cumprir pena de dois a cinco anos de prisão, além de pagamento de multa, conforme prevê a legislação para crimes de maus-tratos contra cães e gatos.

A Polícia Civil reforça que denúncias de violência contra animais podem ser feitas de forma anônima por meio do WhatsApp 197, pela Delegacia Virtual ou presencialmente em unidades policiais. A corporação destaca que a participação da sociedade é fundamental para coibir esse tipo de crime e garantir a proteção dos animais.

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