Profissionais do Hospital das Clínicas entram em greve em Goiânia
Categoria denuncia perdas salariais, falta de proposta e benefícios a diretores enquanto negociação segue travada
Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) em Goiás iniciaram, nesta segunda-feira (30), uma greve no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG). A paralisação começou com mobilização em frente à unidade e reúne profissionais de diversas áreas da saúde.
A categoria cobra avanços no Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027, especialmente nas cláusulas econômicas. Entre as principais reivindicações estão a reposição das perdas inflacionárias — que, segundo os trabalhadores, já passam de 25% —, além de valorização profissional e melhores condições de trabalho.
De acordo com os manifestantes, a greve foi deflagrada após a ausência de respostas concretas por parte da empresa. “A gente deflagrou greve porque o nosso salário está defasado em quase 30%. A gente está pedindo 100% da inflação de 2026 e 2027 e também a reposição de 26% das perdas acumuladas desde 2019”, afirmou o assistente social Vinícius Pinheiro.
Além da questão salarial, os trabalhadores também cobram revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), inclusão de cláusulas sociais e mudanças em benefícios, como auxílio-alimentação, saúde e educação.
Outro ponto que tem gerado revolta na categoria é a diferença de tratamento entre os funcionários da base e a alta administração. Segundo os trabalhadores, enquanto não há proposta de reajuste para os servidores, diretores da estatal tiveram benefícios aprovados. “Tem diretriz financeira para o patrão, mas não tem diretriz para o trabalhador. Aprovaram renda variável anual de R$ 250 mil e aumento no auxílio-moradia. Isso é um absurdo”, criticou Vinícius.
O presidente do Sintsep-GO, Antônio Gilvan, também reforçou o chamado para adesão ao movimento e destacou que a mobilização depende da participação da categoria. “A greve se faz aqui embaixo, e não na sala de trabalho. O momento é agora”, afirmou.
Segundo as entidades, a Ebserh ainda não apresentou proposta econômica e estaria adiando as negociações em razão do calendário eleitoral, que impõe restrições a reajustes acima da inflação a partir de abril.
Greve em outros estados
A paralisação não é isolada. Até o momento, trabalhadores de pelo menos oito estados já aderiram ao movimento, incluindo Goiás, Minas Gerais, Bahia e Paraná.
Mesmo com a greve, os serviços essenciais devem ser mantidos, conforme prevê a legislação. Ainda assim, o movimento pode impactar atendimentos no HC-UFG, uma das principais unidades de saúde pública do estado.
As entidades sindicais aguardam uma nova rodada de negociação com a empresa, mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Enquanto isso, a mobilização segue sem previsão de término.
Pauta de reivindicações
Reajuste salarial:
-100% do INPC (reposição da inflação);
-26,38% de perdas salariais acumuladas;
-15% de ganho real;
-15% de ganho real;
-Aumento específico da radiologia e administração.
Auxílio-alimentação:
-aumento para R$ 1.800/mês (hoje R$ 1.000 → + R$ 800/mês);
-gratificação natalina no mesmo valor.
Auxílio-saúde:
-participação da Ebserh de até 70% do plano, sem teto.
Auxílio pré-escolar:
-aumento para R$ 600/mês (hoje ~R$ 484 → +- R$ 115/mês).
Auxílio educação:
-criação de benefício de R$ 600/mês.
Auxílio mobilidade:
-criação de benefício de R$ 800/mês.
Vale cultura:
-criação de benefício de R$ 300/mês.
Valorização profissional:
-reconhecimento de qualificação (titulação, preceptoria);
-melhorias na jornada de trabalho.
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