sexta-feira, 25 de setembro de 2026
DE BRAÇOS CRUZADOS

Profissionais do Hospital das Clínicas entram em greve em Goiânia

Categoria denuncia perdas salariais, falta de proposta e benefícios a diretores enquanto negociação segue travada

Bia Salespor em
greve
(Imagem: Divulgação)

Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) em Goiás iniciaram, nesta segunda-feira (30), uma greve no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG). A paralisação começou com mobilização em frente à unidade e reúne profissionais de diversas áreas da saúde.

A categoria cobra avanços no Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027, especialmente nas cláusulas econômicas. Entre as principais reivindicações estão a reposição das perdas inflacionárias — que, segundo os trabalhadores, já passam de 25% —, além de valorização profissional e melhores condições de trabalho.

De acordo com os manifestantes, a greve foi deflagrada após a ausência de respostas concretas por parte da empresa. “A gente deflagrou greve porque o nosso salário está defasado em quase 30%. A gente está pedindo 100% da inflação de 2026 e 2027 e também a reposição de 26% das perdas acumuladas desde 2019”, afirmou o assistente social Vinícius Pinheiro.

Além da questão salarial, os trabalhadores também cobram revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), inclusão de cláusulas sociais e mudanças em benefícios, como auxílio-alimentação, saúde e educação.

Outro ponto que tem gerado revolta na categoria é a diferença de tratamento entre os funcionários da base e a alta administração. Segundo os trabalhadores, enquanto não há proposta de reajuste para os servidores, diretores da estatal tiveram benefícios aprovados. “Tem diretriz financeira para o patrão, mas não tem diretriz para o trabalhador. Aprovaram renda variável anual de R$ 250 mil e aumento no auxílio-moradia. Isso é um absurdo”, criticou Vinícius.

O presidente do Sintsep-GO, Antônio Gilvan, também reforçou o chamado para adesão ao movimento e destacou que a mobilização depende da participação da categoria. “A greve se faz aqui embaixo, e não na sala de trabalho. O momento é agora”, afirmou.

Segundo as entidades, a Ebserh ainda não apresentou proposta econômica e estaria adiando as negociações em razão do calendário eleitoral, que impõe restrições a reajustes acima da inflação a partir de abril.

Greve em outros estados

A paralisação não é isolada. Até o momento, trabalhadores de pelo menos oito estados já aderiram ao movimento, incluindo Goiás, Minas Gerais, Bahia e Paraná.

Mesmo com a greve, os serviços essenciais devem ser mantidos, conforme prevê a legislação. Ainda assim, o movimento pode impactar atendimentos no HC-UFG, uma das principais unidades de saúde pública do estado.

As entidades sindicais aguardam uma nova rodada de negociação com a empresa,  mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Enquanto isso, a mobilização segue sem previsão de término.

Pauta de reivindicações

Reajuste salarial:
-100% do INPC (reposição da inflação);
-26,38% de perdas salariais acumuladas;
-15% de ganho real;
-15% de ganho real;
-Aumento específico da radiologia e administração.

Auxílio-alimentação:
-aumento para R$ 1.800/mês (hoje R$ 1.000 → + R$ 800/mês);
-gratificação natalina no mesmo valor.

Auxílio-saúde:
-participação da Ebserh de até 70% do plano, sem teto.

Auxílio pré-escolar:
-aumento para R$ 600/mês (hoje ~R$ 484 → +- R$ 115/mês).

Auxílio educação:
-criação de benefício de R$ 600/mês.

Auxílio mobilidade:
-criação de benefício de R$ 800/mês.

Vale cultura:
-criação de benefício de R$ 300/mês.

Valorização profissional:
-reconhecimento de qualificação (titulação, preceptoria);
-melhorias na jornada de trabalho.

Leia mais: Gás de cozinha pode ficar até R$ 8 mais caro a partir desta terça-feira (31)

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Tags:
Goiânia Goiás greve Hospital das Clínicas paralisação

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