quarta-feira, 1 de abril de 2026
NEGOCIOS

Com queda da cerveja, bebidas prontas ganham espaço e mudam mercado

Crescimento das bebidas Ready to Drink é impulsionado por novos hábitos de consumo e preferência da geração Z

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 31 de março de 2026
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Foto: Divulgação

A mudança no comportamento do consumidor brasileiro tem redesenhado o mercado de bebidas alcoólicas. Enquanto a cerveja registra queda nas vendas, cresce o espaço dos chamados Ready to Drink (RTDs), bebidas prontas para consumo que combinam praticidade, inovação e apelo junto ao público jovem. O movimento já provoca ajustes estratégicos na indústria e abre novas frentes de negócios no país.

Queda da cerveja abre espaço para novos formatos

Dados recentes indicam que o consumo de cerveja no Brasil recuou cerca de 5% em 2025, refletindo mudanças nos hábitos de consumo, como maior preocupação com saúde, moderação e diversidade de experiências.

Ao mesmo tempo, o mercado de RTDs segue em expansão. Segundo a Euromonitor, a categoria cresceu 4,5% entre 2023 e 2024 e já apresenta ritmo superior ao da cerveja no médio prazo. Entre 2019 e 2024, a produção de bebidas prontas avançou 32,4%, quase o dobro do crescimento do mercado cervejeiro no mesmo período.

Apesar disso, a participação ainda é pequena: os RTDs representam cerca de 1,8% do mercado alcoólico brasileiro, muito abaixo de países como os da América do Norte, onde já ultrapassam 10%.

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Foto: Divulgação

Crescimento acelerado e potencial de mercado

O volume produzido no Brasil chegou a aproximadamente 178 milhões de litros em 2024, com projeção de atingir 228 milhões até 2029. Em contraste, a produção de cerveja supera 14 bilhões de litros, evidenciando o tamanho do espaço ainda disponível para expansão.

Levantamentos de mercado também apontam crescimento acelerado em ocasiões específicas de consumo. No Carnaval de 2026, por exemplo, as vendas de RTDs em bares e eventos aumentaram 94%, superando o avanço da cerveja no mesmo período.

O desempenho é impulsionado principalmente por consumidores mais jovens. Millennials e a geração Z buscam produtos com maior variedade de sabores, menor teor alcoólico e experiências diferenciadas, além de valorizarem conveniência e embalagens práticas.

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Mudança de comportamento e consumo mais consciente

Especialistas destacam que o avanço dos RTDs está diretamente ligado ao estilo de vida urbano. A praticidade de consumir bebidas prontas, sem necessidade de preparo, atende a uma rotina mais dinâmica.

Outro fator relevante é a busca por moderação. As bebidas prontas geralmente oferecem porções controladas e menor teor alcoólico, alinhando-se a uma tendência global de consumo mais consciente.

Além disso, há uma valorização crescente de atributos como sustentabilidade, design de embalagens e posicionamento de marca, elementos que influenciam especialmente o público jovem nas decisões de compra.

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Indústria se adapta e amplia portfólio

Diante desse cenário, empresas tradicionais do setor de bebidas têm ampliado investimentos na categoria. O movimento inclui o lançamento de novos sabores, reformulação de produtos e adaptação de embalagens para atender a diferentes ocasiões de consumo.

Há também uma estratégia de reposicionamento, com produtos que antes tinham consumo sazonal passando a ser promovidos para uso ao longo do ano. O objetivo é aumentar a recorrência e explorar novos momentos de consumo, como encontros informais, eventos ao ar livre e ocasiões sociais diversas.

A inovação tem sido um dos principais motores desse mercado, com combinações de sabores, bebidas híbridas e até versões inspiradas em coquetéis clássicos ganhando espaço nas prateleiras e nos bares.

Oportunidades de negócios e desafios

O avanço dos RTDs revela um mercado ainda em consolidação no Brasil, mas com forte potencial de crescimento. A baixa participação atual, aliada ao desempenho em mercados internacionais, indica espaço para expansão tanto na indústria quanto na distribuição.

Para o varejo e o setor de bares e eventos, a categoria representa oportunidade de diversificação de portfólio e aumento de margem, especialmente em públicos jovens e urbanos. Pequenos produtores também podem encontrar nichos, explorando bebidas artesanais e propostas diferenciadas.

Por outro lado, o setor enfrenta desafios, como a alta concorrência, a necessidade de inovação constante e a construção de marca em um ambiente cada vez mais digital e influenciado por redes sociais.

 

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