terça-feira, 31 de março de 2026
Eleições 2026

Deputados de Goiás ainda definem troca de partido antes do fim da janela

Mudanças são motivadas por estratégia eleitoral; regras mais duras ajudam a explicar o movimento

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 31 de março de 2026
Deputados de Goiás ainda definem troca de partido antes do fim da janela
O HOJE conversou com a deputada Flávia Morais e os deputados José Nelto e Ismael Alexandrino. Foto: Kayo Magalhães e Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Bruno Goulart

A poucos dias do fim da janela partidária, no próximo sábado (4), deputados federais de Goiás ainda decidem se vão trocar ou não de partido. O prazo permite a mudança sem perda de mandato e costuma movimentar o cenário político. Desta vez, no entanto, as decisões estão ainda mais estratégicas.

Um dos principais casos é o da deputada Flávia Morais, que deve deixar o PDT e se filiar ao MDB. Ao O HOJE, a líder da bancada goiana no Congresso Nacional explicou que a decisão não é simples e está ligada ao novo cenário eleitoral. “Provavelmente, vou sair, sim, depois de 16 anos no PDT”, afirmou. Segundo Flávia, hoje está mais difícil montar chapas fortes e garantir votos suficientes. Mesmo assim, a parlamentar reconhece o trabalho que realizou à frente do PDT. “É um partido estruturado”, declarou.

Outra mudança já encaminhada é a da deputada Marussa Boldrin, que afirmou ao O HOJE sua saída do MDB para o Republicanos. A troca segue um cálculo político para viabilizar sua reeleição.

A deputada Magda Mofatto também está em negociação. Atualmente no PL, Magda articula sua ida para o PSD, partido do governador Ronaldo Caiado. A expectativa é que a parlamentar fortaleça a chapa de deputados federais da sigla. Mesmo filiada hoje a um partido de oposição ao governo estadual, Magda já declarou apoio a Caiado para presidente e elogiou a gestão em áreas como saúde, segurança e infraestrutura. No entanto, nos bastidores, afirma-se que a deputada permanecerá no PL.

Por outro lado, há deputados que decidiram permanecer. José Nelto afirmou que segue no União Brasil, mesmo após receber convite para mudar de partido. “Tenho uma ligação muito grande com a direção nacional e com a bancada. Estamos preparando uma chapa completa”, disse.

O deputado Ismael Alexandrino também descartou qualquer mudança. “Não estou nem cogitando trocar de partido”, afirmou ao O HOJE. Segundo o pessedista, a decisão ficou ainda mais firme após a filiação de Ronaldo Caiado ao PSD.

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Já a situação da deputada Silvye Alves segue indefinida. A mais votada em Goiás para a Câmara dos Deputados em 2022 chegou a afirmar que deixaria o União Brasil após relatar ter sido pressionada pelo partido para votar a favor da PEC da Blindagem, em setembro do ano passado. A mudança era esperada dentro da janela partidária, mas até agora não foi confirmada. Nos bastidores, há informações de que Caiado pediu para que SIlvye permaneça no partido.

Regras mais rígidas

Esse movimento dos deputados tem relação direta com as regras eleitorais, que ficaram mais rígidas nos últimos anos. Em Goiás, por exemplo, o desafio para eleger um deputado federal é alto. O Estado tem 17 vagas na Câmara e cerca de 5 milhões de eleitores. Com isso, o quociente eleitoral, número de votos necessários para garantir uma vaga, deve ficar entre 180 mil e 210 mil votos.

Além disso, o candidato precisa ter pelo menos 10% desse total de votos. Na prática, isso significa cerca de 20 mil votos próprios. Se não atingir esse número, não pode assumir a vaga, mesmo que o partido tenha votos suficientes.

A disputa pelas últimas vagas também ficou mais difícil. Para concorrer às sobras, o partido precisa ter pelo menos 80% do quociente, cerca de 160 mil votos. Já o candidato precisa alcançar ao menos 20%, o que dá em torno de 40 mil votos. Isso prejudica candidatos que têm votos concentrados em apenas uma região.

Outro ponto importante é a redução no número de candidatos por partido. Agora, cada sigla pode lançar no máximo 18 nomes. Antes, era comum ter muitos candidatos apenas para somar votos. Hoje, os partidos priorizam nomes mais fortes, o que diminui o espaço para novos candidatos. (Especial para O HOJE)

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