terça-feira, 31 de março de 2026
PALESTINA

“Crime de guerra”: ONU condena pena de morte aprovada em Israel

A lei aprovada prevê pena de morte por enforcamento para palestinos condenados por ataques terroristas

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 31 de março de 2026
Volker Türk critica a nova legislação israelense e afirma que ela deve “ser prontamente revogada"
Volker Türk critica a nova legislação israelense e afirma que ela deve “ser prontamente revogada" (Foto: EU2018BG Bulgarian Presidency)

O alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, criticou a nova legislação aprovada por Israel que institui a pena de morte por enforcamento como regra para palestinos condenados por ataques fatais em tribunais militares. Em manifestação pública, ele afirmou que a medida contraria normas do direito humanitário internacional e compromete garantias básicas de julgamento.

O alto comissário afirma que a lei “levanta sérias preocupações sobre violações do devido processo ‌legal, é ⁠profundamente ‌discriminatória e deve ser prontamente revogada”. Segundo Türk, “sua aplicação a habitantes desse território palestino ocupado constituiria um crime de guerra”.

O texto também fixa prazo de até 90 dias para a execução das sentenças, ponto citado como incompatível com compromissos jurídicos internacionais assumidos pelo país.

Proposta aprovada em Israel

A proposta foi aprovada na segunda-feira (30) pelo Parlamento israelense, com 62 votos favoráveis e 48 contrários. A nova regra define a pena capital como padrão em casos enquadrados como “terrorismo”. A iniciativa esteve no centro da agenda de setores da extrema direita e contou com o apoio do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, além de articulação do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir.

Ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben Gvir, usando um broche de “forca”
Itamar Ben Gvir usando um broche de “forca” (Foto: Reprodução)

A repercussão foi imediata. Entidades de direitos humanos em Israel e em países europeus reagiram à decisão e condenaram a proposta. Uma organização israelense recorreu à Suprema Corte para tentar barrar a norma, alegando inconstitucionalidade e violação de princípios legais.

A Autoridade Palestina afirmou que a medida busca legitimar execuções fora dos padrões legais. No plano internacional, o Conselho da Europa sinalizou possível revisão do status de observador de Israel na Assembleia Parlamentar do Conselho (APCE).

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