quinta-feira, 2 de abril de 2026
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Goiás registra alta na busca por pescados e vê Semana Santa impulsionar negócios

Demanda por tilápia e filés cresce com tradição e apelo por alimentação mais saudável

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 1 de abril de 2026
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Foto: Divulgação

O consumo de pescado em Goiás ganha força na Semana Santa e se consolida como um dos principais impulsionadores sazonais do setor alimentício. Dados da Associação Brasileira da Piscicultura indicam que o consumo de peixes no Brasil cresce entre 10% e 20% no período, com impacto direto no comércio regional. No estado, a expectativa de comerciantes e produtores é de aumento de até 15% nas vendas em 2026, impulsionado pela tradição religiosa e pela busca por alimentação mais saudável.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o consumo per capita de pescado no Brasil gira em torno de 10 kg por ano, ainda abaixo da média global recomendada, o que abre espaço para expansão — especialmente em períodos como a Semana Santa, quando a demanda se concentra em poucos dias.

Consumo sazonal movimenta cadeia produtiva

A Semana Santa representa o principal pico de vendas para o setor de pescados. Em Goiás, feiras livres, supermercados e peixarias registram aumento significativo no fluxo de consumidores já na semana que antecede a Sexta-feira Santa.

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Foto: Divulgação

De acordo com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, a produção de peixes no estado tem crescido nos últimos anos, com destaque para a tilápia, principal espécie cultivada. Goiás está entre os maiores produtores do Centro-Oeste, o que ajuda a garantir abastecimento e estabilidade de preços durante o período.

Produção nacional em alta sustenta oferta

O Brasil produziu cerca de 860 mil toneladas de peixes de cultivo em 2024, segundo a Peixe BR, com crescimento contínuo puxado principalmente pela tilápia. Esse avanço tem reflexo direto em estados como Goiás, onde a piscicultura vem se consolidando como alternativa econômica no meio rural.

A maior oferta contribui para evitar oscilações bruscas de preços, mesmo em períodos de alta demanda. Em Goiânia e região metropolitana, o quilo da tilápia e de outros filés costuma variar entre R$ 35 e R$ 70, dependendo do corte e da procedência, mantendo patamar semelhante ao registrado no ano passado.

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Foto: Divulgação

Mudança de hábito amplia consumo

Além da tradição religiosa, o consumo de peixe tem sido impulsionado por fatores ligados à saúde e ao estilo de vida. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram que proteínas consideradas mais leves, como pescado e frango, vêm ganhando espaço na dieta dos brasileiros.

Essa mudança também se reflete no perfil de compra. Cresce a procura por produtos prontos ou semiprontos, como filés congelados, cortes porcionados e pratos de fácil preparo, acompanhando a rotina urbana e a busca por praticidade.

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Pequenos negócios aproveitam a alta

A Semana Santa também representa uma oportunidade estratégica para pequenos empreendedores. Feiras do peixe, comuns em diversas cidades goianas, ampliam a oferta direta ao consumidor e fortalecem a renda de produtores locais.

Além disso, cresce a atuação de cozinhas artesanais e vendedores informais, que comercializam pratos prontos, como peixes fritos, moquecas e bolinhos, ampliando o impacto econômico da data.

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Data consolida oportunidade de mercado

Mesmo sendo um movimento concentrado, o aumento nas vendas durante a Semana Santa reforça o potencial de crescimento do setor de pescados em Goiás. A combinação entre tradição, produção local e mudança de hábitos alimentares cria um ambiente favorável para expansão.

Para o mercado, o desafio está em transformar esse consumo sazonal em hábito contínuo ao longo do ano. Ainda assim, a data segue como uma das mais importantes para o faturamento do setor, movimentando toda a cadeia produtiva e gerando oportunidades em diferentes níveis da economia.

Logística, estoque e planejamento entram no centro da estratégia

Com a concentração de consumo em poucos dias, comerciantes e distribuidores precisam antecipar compras, reforçar estoques e ajustar a logística para evitar ruptura de produtos. Esse planejamento envolve desde a negociação com fornecedores até a ampliação de equipes temporárias e horários de funcionamento. Em Goiás, redes varejistas e peixarias independentes relatam que a semana que antecede a Sexta-feira Santa pode representar uma fatia relevante do faturamento mensal, o que transforma a data em um verdadeiro teste de eficiência operacional para o setor.

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