Ministros do STF se irritam com Fachin e consideram corte desmoralizada
Declaração sobre erros de juízes e código de ética desune tribunal, avaliam magistrados
As declarações dadas à imprensa nesta terça-feira (31) pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que falou sobre erros de juízes, código de conduta e fim do inquérito das fake news, irritaram uma ala da corte, que reclama de constrangimento público e exposição indevida dos dilemas internos do tribunal.
Ao menos cinco ministros têm reagido com frequência e de forma coordenada à agenda de Fachin como presidente e às suas declarações públicas. Os magistrados falam que o Supremo se tornou uma “nau à deriva” e avaliam que o presidente da corte está desmoralizado, desunindo o tribunal em vez de defender a colegialidade. Tudo isso em meio a uma crise de credibilidade derivada das investigações sobre o Banco Master.
De acordo com relatos feitos sob reserva por três desses ministros, Fachin quer deixar um legado em defesa da pauta ética, mas ao custo de desgastar os colegas em praça pública, o que dá munição a opositores do Supremo tanto no Congresso Nacional quanto na sociedade em geral.

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Ministros sugerem outros caminhos
Surpreendido com as declarações, o grupo afirma que Fachin poderia ter adotado uma estratégia de redução de danos, por meio de avisos prévios feitos aos colegas dizendo que conversaria com os jornalistas especializados na cobertura do Supremo e que inevitavelmente perguntas incômodas poderiam surgir.
Os ministros dizem que Fachin age com boas intenções, mas que os efeitos de suas falas não colaboram para a união que o STF precisa para enfrentar um ano eleitoral intenso, em que os ataques à corte tendem a se intensificar. Por isso, também são contra o encerramento do inquérito das fake news neste momento.
Enquanto Fachin entende que o mero debate sobre o código de ética já tem relevância, a outra ala da corte entende que alimentar essa discussão é ruim e não impacta os reais problemas do Judiciário, como notícias de descumprimento da decisão sobre os penduricalhos.
Em relação às críticas, Fachin tem dito a auxiliares que não se sente isolado e que mantém diálogos e encontros periódicos com todos os colegas para mapear os desafios da corte e costurar soluções conjuntas, como ocorreu no caso dos penduricalhos. O ministro também afirma que a defesa da integridade moral do tribunal e da imparcialidade dos ministros é uma bandeira inegociável da sua gestão.