Negociação sobre abertura de supermercados aos domingos é adiada em Goiás
Impasse entre patrões e trabalhadores de supermercados e expectativa sobre PEC que altera jornada de trabalho travam acordo; Sincovaga evita confirmar prazos
A definição sobre o funcionamento de supermercados, hipermercados e atacarejos aos domingos em Goiás foi adiada e segue sem prazo oficial confirmado. A medida, que vinha sendo aguardada pelo setor para possível entrada em vigor ainda neste mês, permanece em discussão entre representantes patronais e dos trabalhadores, em meio a um cenário de incerteza, além do cenário político nacional envolvendo mudanças na jornada de trabalho.
Segundo apurado pelo jornal O Popular, a tendência será de uma nova assembleia do setor patronal ocorra apenas no fim de abril, o que poderia empurrar uma eventual decisão para maio. No entanto, ao ser procurado pela reportagem nesta terça-feira (31/3), o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios no Estado de Goiás (Sincovaga-GO), Alessandro Jean Pereira de Faria, não confirmou nem mesmo o adiamento da definição para o fim do mês, como noticiado pelo veículo.
Alessandro afirmou que o processo segue em negociação e que não irá se pronunciar neste momento para não interferir nas tratativas. Ele informou ainda que a minuta com as propostas do setor patronal foi encaminhada ao Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Secom-GO) no último dia 26 de março.
O principal fator apontado nos bastidores para a indefinição é a expectativa de que o Congresso Nacional avance ainda em abril na análise de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, substituindo-a por um modelo com mais folgas semanais. A proposta tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e pode impactar diretamente a organização das jornadas no setor.
A avaliação é de que uma eventual mudança na legislação trabalhista pode alterar significativamente a montagem de escalas nos supermercados, influenciando decisões estratégicas sobre o funcionamento aos domingos. Diante desse cenário, empresários têm adotado cautela antes de fechar qualquer acordo definitivo.
Impasse entre patrões e empregados dos supermercados
Enquanto isso, o impasse entre patrões e empregados segue. De um lado, trabalhadores defendem o fim do expediente dominical como forma de melhorar a qualidade de vida e também como estratégia para enfrentar a escassez de mão de obra no setor. O Secom-GO afirma representar cerca de 30 mil trabalhadores e aponta um déficit que pode chegar a 10 mil vagas em todo o Estado.
Do outro, o setor empresarial avalia os impactos operacionais e financeiros de uma possível mudança. Entre as alternativas discutidas, chegou a ser cogitado o funcionamento parcial aos domingos, com fechamento a partir do meio-dia, proposta que não foi aceita pelo sindicato laboral, que defende o encerramento total das atividades nesse dia.
Nos bastidores, outro ponto que pesa nas discussões é a dificuldade das empresas em preencher vagas. O próprio sindicato dos trabalhadores aponta que a escassez de profissionais tem levado à adoção de soluções como a ampliação de caixas de autoatendimento, em uma tentativa de manter a operação mesmo com equipes reduzidas.
Além disso, há a percepção de que o modelo atual de trabalho, que inclui domingos e feriados, tem menor adesão entre trabalhadores mais jovens, o que contribui para o desequilíbrio na oferta de mão de obra. Especialistas do setor avaliam que eventuais mudanças precisarão equilibrar interesses econômicos e demandas sociais.
Enquanto não há definição, segue valendo a regra atual: os supermercados continuam autorizados a funcionar normalmente aos domingos. As negociações continuam em andamento, sem uma data oficial para conclusão, e o desfecho dependerá tanto do avanço das conversas locais quanto do cenário nacional sobre a jornada de trabalho.