sábado, 26 de setembro de 2026
DIREITO POR NASCIMENTO

Suprema Corte dos EUA julga se Trump pode negar cidadania por nascimento

Julgamento que pode mudar regra de cidadania por nascimento tem participação inédita do presidente norte-americano

Lalice Fernandespor em
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Caso discute se filhos de imigrantes sem status legal mantém direito à cidadania automática (Foto: Tim Mossholder/ Unsplash)

A Suprema Corte dos Estados Unidos iniciou nesta quarta-feira (1º) o julgamento de um caso que pode redefinir o direito à cidadania por nascimento no país, tema central da Constituição norte-americana. A análise envolve uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump que busca restringir a concessão automática de cidadania a filhos de imigrantes sem status legal permanente ou de estrangeiros em estadia temporária.

Em uma participação inédita, Trump compareceu pessoalmente à sessão. É a primeira vez na história dos Estados Unidos que um presidente acompanha um julgamento na mais alta instância do Judiciário. Ele permaneceu sentado na primeira fila durante o início da audiência, em silêncio, e deixou o local cerca de duas horas depois, antes do encerramento dos debates.

A medida em análise foi assinada em janeiro de 2025, no início do segundo mandato de Trump, como parte de um pacote voltado ao endurecimento das políticas migratórias. O decreto prevê mudanças no modelo atual ao limitar a cidadania automática às crianças nascidas em solo norte-americano cujos pais não tenham residência legal permanente.

O texto também estabelece restrições a bebês abandonados, que só teriam o direito reconhecido mediante comprovação de vínculo com ao menos um dos pais com cidadania norte-americana ou residência legal, o que pode resultar em casos de apatridia.

Imigrante hondurenha move ação contra decreto

O caso chegou à Corte após ação movida por uma imigrante hondurenha identificada como Barbara, moradora do estado de New Hampshire. Grávida de seu quarto filho, ela recorreu à Justiça ao considerar inconstitucional a medida que impediria que a criança, mesmo nascida nos Estados Unidos, fosse reconhecida como cidadã. O sobrenome de Barbara não foi divulgado por temor de represálias.

Atualmente, o direito à cidadania por nascimento é garantido pela 14ª Emenda da Constituição, em vigor há mais de 100 anos. O texto estabelece que toda pessoa nascida em território norte-americano é cidadã, com algumas exceções, como filhos de diplomatas estrangeiros. A possível mudança colocaria em xeque um entendimento consolidado ao longo de gerações.

Durante a sessão, o foco central foram as discussões iniciais foram conceitos como “domicílio” e “lealdade”, considerados fundamentais para a interpretação da norma constitucional. O governo sustenta que a regra vigente incentiva a imigração irregular e favorece o chamado “turismo de nascimento”, quando estrangeiros viajam ao país com o objetivo de garantir a cidadania aos filhos.

Trump critica EUA por aceitar cidadania por nascimento

No ano passado, o presidente norte-americano afirmou que “o programa de cidadania por nascimento não foi criado para pessoas que tiram férias para se tornarem cidadãos permanentes dos Estados Unidos da América e trazerem suas famílias, rindo o tempo todo dos ‘otários’ que somos!”.

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Trump afirma que os Estados Unidos são “estúpidos” por aceitar cidadania por nascimento (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

Trump acrescentou ainda que o sistema estaria sendo explorado por organizações criminosas. “Os cartéis de drogas adoram! Somos, para sermos politicamente corretos, um país estúpido, mas, na verdade, isso é exatamente o oposto de ser politicamente correto, e é mais um ponto que leva à disfunção da América”, escreveu.

Na quarta-feira, após deixar a Suprema Corte, Trump voltou a criticar o modelo atual em publicação nas redes sociais. “Somos o único país do mundo estúpido o suficiente para permitir a cidadania “direito por nascimento”!”, escreveu.

A decisão da Corte pode afetar diretamente cerca de 200 mil bebês nascidos anualmente nos EUA. O julgamento está em andamento e deve estabelecer os limites da interpretação constitucional sobre quem tem direito à cidadania americana ao nascer.

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