quinta-feira, 2 de abril de 2026
CULTURA | SOCIEDADE

Mulheres pretas e pardas da classe C são o maior grupo comprador de livros no Brasil, aponta pesquisa

Levantamento da Câmara Brasileira do Livro mostra que esse público representa 15% de todos os compradores; mercado editorial incorporou 3 milhões de novos leitores em 2025

Luana Avelarpor Luana Avelar em 2 de abril de 2026
mulheres
Foto: freepik

Um dado que redesenha o mapa do mercado editorial brasileiro: mulheres pretas, pardas e da classe C se consolidaram como o maior grupo comprador de livros no país. A conclusão é da pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData.

Segundo o levantamento, 30% de todos os compradores de livros no Brasil são mulheres pretas e pardas. Entre o público feminino, elas representam metade das leitoras. No recorte por renda, as mulheres negras da classe C formam, isoladamente, o maior grupo comprador do mercado, com cerca de 15% do total.

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Um mercado em expansão

O crescimento desse público acompanha uma expansão geral do setor. Em 2025, cerca de 18% da população adulta brasileira comprou ao menos um livro, físico ou digital, alta de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em números absolutos, o mercado incorporou aproximadamente 3 milhões de novos compradores em 12 meses, o maior salto registrado nos últimos cinco anos. No conjunto, pretos e pardos já somam cerca de 49% de todos os compradores de livros no Brasil.

O papel do digital e das redes sociais

O comércio digital é o principal canal de acesso ao livro. Mais de 53% dos consumidores realizaram a última compra pela internet, e 56% afirmam usar redes sociais para descobrir novos títulos. Entre os que compram por indicação nas plataformas digitais, as mulheres representam 59% do total. O papel de influenciadoras literárias negras nas redes sociais é destacado por pesquisadores como fator determinante na formação de novos leitores e na consolidação de comunidades em torno da leitura.

Por que essa mudança aconteceu

Pesquisadores apontam uma combinação de fatores para explicar a transformação. A ampliação do acesso ao ensino superior, o crescimento do poder de compra da classe C e a expansão das livrarias online reduziram barreiras históricas de acesso ao livro. A representatividade na produção editorial também é apontada como elemento relevante: a presença crescente de autoras negras e de obras que tratam de questões raciais e sociais ampliou a identificação desse público com a literatura.

 

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