sábado, 24 de outubro de 2026
Novo teto de valores

Reajuste de até 3,81% no preços de medicamentos não é automático e impacto será gradual em Goiás

O índice autorizado pelo governo federal funciona como teto e pode ser aplicado ao longo dos próximos meses; setor aponta pressão de custos e orienta pesquisa de preços dos medicamentos

Letícia Leitepor em
Reajuste de até 3,81% no preços de medicamentos não é automático e impacto será gradual em Goiás
Mesmo abaixo da inflação, deve pesar mais para quem usa remédios contínuos, enquanto descontos e concorrência podem amenizar impacto no bolso. Foto: Joédson Alves/ABr

Os preços dos medicamentos vendidos no Brasil passaram a ter um novo teto de reajuste desde a terça-feira (31/03), com aumento máximo de até 3,81%, conforme resolução publicada pelo governo federal. Apesar da autorização, o impacto para o consumidor não ocorre de forma imediata nem uniforme, especialmente em Goiás, onde o setor farmacêutico aponta variações na aplicação dos preços e pressões nos custos de produção.

O reajuste anual é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) e segue uma lógica baseada na concorrência de cada produto. Neste ano, foram estabelecidos três níveis: até 3,81% para medicamentos com maior número de fabricantes, 2,47% para aqueles com concorrência intermediária e 1,13% para produtos com baixa oferta no mercado, como remédios de alto custo ou voltados a doenças raras.

Segundo o presidente-executivo do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas no Estado de Goiás (Sindifargo), Marçal Henrique Soares, o índice não representa exatamente um aumento, mas uma reposição de custos baseada na inflação do período anterior. Ele destaca que o percentual ficou abaixo da inflação devido ao ganho de produtividade da indústria farmacêutica no último ano, fator que reduz o índice final aplicado. “Todo índice de produtividade positiva é abatido na fórmula como uma renúncia ao reajuste, entregue ao consumidor brasileiro”, afirma.

Reajuste no preço dos medicamentos não é automático

medicamentos
Foto: Marcello Casal jr/ABr

Apesar da autorização entrar em vigor em 1º de abril, o reajuste não é automático. As indústrias podem aplicar o aumento quando considerarem necessário, desde que respeitem o teto estabelecido. Isso significa que os preços podem permanecer estáveis por um período ou sofrer reajustes graduais ao longo dos próximos meses.

Na prática, o consumidor goiano já pode encontrar diferenças de preços entre farmácias. Isso ocorre porque o varejo trabalha com políticas próprias de desconto, muitas vezes repassando parte das condições negociadas com a indústria. “Cada farmácia oferece um desconto diferente. O que a gente sugere é que o consumidor faça pesquisa de preço”, reforça Soares.

Essa dinâmica tende a amenizar o impacto imediato, principalmente em medicamentos com maior concorrência, como os usados no tratamento de hipertensão, diabetes e colesterol. Nesses casos, a presença de genéricos e múltiplas marcas amplia a disputa por preço e reduz o repasse integral do reajuste.

Por outro lado, quem depende de medicamentos de uso contínuo pode sentir o efeito ao longo do ano, já que a compra recorrente acumula pequenas variações de preço. Já os remédios com menor concorrência, embora tenham reajuste menor, costumam ter valores mais elevados, o que mantém o peso no orçamento.

Além da regulação, o setor farmacêutico enfrenta desafios externos que pressionam os custos de produção. A guerra no Oriente Médio, por exemplo, já impacta diretamente a cadeia de suprimentos, especialmente na importação de matérias-primas da Ásia.

De acordo com o Sindifargo, fornecedores internacionais têm repassado aumentos expressivos, com insumos que chegaram a subir entre 30% e 40% em dólar ou euro. O frete internacional também sofreu reajustes superiores a 15%, influenciado por dificuldades logísticas e pelo cenário geopolítico.

Mesmo assim, esses custos não devem chegar ao consumidor em 2026. Isso porque a legislação brasileira permite o reajuste de medicamentos apenas uma vez por ano, o que impede o repasse imediato dessas variações. 

O cenário, no entanto, acende um alerta para possíveis efeitos indiretos, como risco pontual de desabastecimento. Caso fabricantes enfrentem dificuldades na obtenção de insumos, pode haver interrupção na produção de determinados medicamentos.

Para o consumidor, o principal efeito do reajuste deve aparecer de forma gradual e desigual. Enquanto alguns produtos podem encarecer nas próximas semanas, outros devem manter os preços estáveis por mais tempo, dependendo das estratégias da indústria e das farmácias.

Diante disso, a principal recomendação é a pesquisa de preços. Comparar valores entre diferentes estabelecimentos, optar por genéricos quando possível e acompanhar programas de desconto continuam sendo as formas mais eficazes de reduzir o impacto no orçamento ao longo de 2026.

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