quinta-feira, 7 de maio de 2026
Saúde

Mesmo após os 60, largar o cigarro faz diferença

Em apenas 20 minutos sem fumar cigarro, pressão arterial e frequência cardíaca começam a voltar ao normal

Leticia Mariellepor Leticia Marielle em 4 de abril de 2026
cigarro
Mesmo após os 60, largar o cigarro faz diferença. | Foto: Reprodução/Freepik

O tabagismo permanece entre os maiores desafios de saúde pública no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso do tabaco provoca cerca de 8 milhões de mortes todos os anos. No Brasil, o sinal de alerta voltou a acender após dados recentes do Ministério da Saúde apontarem um crescimento de 25% no número de fumantes entre 2023 e 2024, interrompendo uma tendência histórica de queda. 

Os impactos do cigarro sobre a saúde são ainda mais graves quando o hábito começa cedo. Especialistas alertam que o consumo iniciado na adolescência e mantido ao longo da vida está relacionado à redução média de oito a dez anos na expectativa de vida, além de aumentar significativamente o risco de morte precoce.

Com o passar dos anos, os prejuízos tendem a se acumular. Entre as principais consequências estão a perda progressiva da capacidade funcional, dificuldades de mobilidade, dores musculoesqueléticas e maior incidência de sintomas de ansiedade e depressão. No processo de envelhecimento, esse quadro costuma se tornar ainda mais evidente.

Mesmo entre aqueles que passam a fumar depois dos 60 anos, quando a carga tabágica geralmente é menor, os riscos não devem ser subestimados. Nessa fase da vida, a presença de comorbidades e a redução da reserva fisiológica deixam o organismo mais vulnerável a eventos cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Apesar dos danos acumulados, especialistas reforçam que abandonar o cigarro traz benefícios em qualquer faixa etária, inclusive após os 80 anos. Embora algumas lesões não possam ser totalmente revertidas, especialmente quando já existem doenças instaladas, a interrupção do tabagismo promove respostas rápidas do organismo.

Em apenas 20 minutos sem fumar, pressão arterial e frequência cardíaca começam a voltar ao normal. Após 12 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue diminuem, melhorando a oxigenação dos tecidos. Nas primeiras 48 horas, olfato e paladar já costumam apresentar melhora. Entre três e nove meses, a função pulmonar pode aumentar em até 30%, enquanto, após um ano, o risco de doença arterial coronariana cai pela metade.

O processo de parar de fumar, no entanto, ainda é um desafio para grande parte dos pacientes. Por isso, profissionais de saúde recomendam a busca por suporte especializado.

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