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Caiado mira evangélicos e avalia vice mulher para ampliar espaço na direita

Após ser oficializado na corrida ao Planalto, ex-governador articula aproximação com lideranças religiosas e discute nome feminino para furar dominância bolsonarista no campo conservador

Thiago Borgespor Thiago Borges em 5 de abril de 2026
2 abre Caiado sorrindo Foto Sérgio Rocha Alego
A movimentação revela um movimento calculado para ocupar espaço no campo da direita | Foto: Sérgio Rocha/Alego

Desde o anúncio oficial de que seria o pré-candidato do PSD à Presidência da República, na última segunda-feira (30/3), o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deu início a uma ofensiva política pelo voto evangélico. Além disso, internamente, o PSD já discute as possibilidades de uma vice para Caiado.

A movimentação, que combina aproximação com lideranças religiosas e sinalizações sobre a escolha de uma mulher como vice, revela um movimento calculado para ocupar espaço no campo da direita e disputar a base hoje fortemente associada ao bolsonarismo.

Caiado escalou o deputado federal Otoni de Paula (RJ), que trocou o MDB pelo PSD na janela partidária, para conduzir o movimento de aproximação com as igrejas evangélicas. Otoni apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas recentemente tornou-se crítico do ex-chefe do Executivo e até se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em uma entrevista no início do ano para o Correio Braziliense, Otoni afirmou que já havia “hipotecado” seu apoio a Caiado e que teria dificuldades em apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na ocasião, chegou a dizer que “a direita é maior do que o bolsonarismo”. O parlamentar é pastor da Assembleia de Deus, no Ministério Missão de Vida.

Caiado também já recebeu o apoio do bispo Samuel Ferreira, presidente executivo da Convenção Nacional das Assembleias de Deus, do Ministério de Madureira, a corrente mais expressiva da igreja. A Convenção Nacional possui mais de 42 mil templos e mais de 100 mil pastores.

O cientista político Pedro Pietrafesa avaliou, em conversa com a reportagem do O HOJE, que a estratégia de Caiado segue uma lógica eleitoral clara. Segundo o cientista, o ex-governador tenta colocar seu nome como uma alternativa a Flávio dentro do campo direitista.

“Ele claramente está tentando buscar e ampliar o apoio, nesse primeiro momento, dentro desse eleitorado que está mais à direita e que é mais radicalizado”, destacou. “Então, que seja especificamente nessa busca do voto onde o bolsonarismo tem uma maior quantidade de intenções de voto”, afirmou. Segundo Pietrafesa, o movimento é inicial e visa viabilizar a candidatura eleitoralmente. “Para depois tentar entrar num eleitorado mais de centro, ou quem sabe até mesmo no do Lula”, completou.

Leia mais: PL quer eleger até 5 deputados em Goiás com nomes fortes no bolsonarismo

Vice mulher?

Aliado aos acenos ao voto evangélico, outra corrente que ganhou força no PSD é a de Caiado ter uma mulher na vice. Atualmente, a tese dentro da legenda é que o ex-governador goiano precisa buscar uma vice de outra legenda, a fim de dar início a um arco de alianças partidárias que dê robustez ao projeto do PSD que visa o Palácio do Planalto.

Na última quarta-feira (1º), o governador Daniel Vilela (MDB) afirmou em conversa com a reportagem do O HOJE que já conversou com o presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi, sobre a possibilidade de o partido compor a chapa de Caiado na disputa presidencial.

O partido foi sondado pelo PT para indicar a vice na chapa do presidente Lula. Porém, uma ação coordenada de 17 diretórios estaduais emedebistas, capitaneada por Daniel Vilela, barrou a possibilidade. Até o momento, o partido não definiu quem irá apoiar na disputa presidencial e tende a ficar neutro na corrida pelo Planalto.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, tenta atrair a federação União Progressista, formada por União Brasil (UB) e PP, para o projeto de Caiado. O mandatário pessedista já tratou do assunto com o presidente do UB, Antônio Rueda, e do PP, o senador Ciro Nogueira (PI).

Apoio de ACM a Caiado

Para o Metrópoles, o vice-presidente nacional do UB e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, garantiu que irá apoiar Caiado neste ano, mas não deu garantias se esse será o posicionamento da federação.

Caso uma coligação entre a federação UB-PP e PSD avance, o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que foi ministra da Agricultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), surge como uma possibilidade para compor a vice de Caiado. A parlamentar reforçaria o apelo da candidatura no eleitorado à direita, além de representar uma candidatura feminina, o que é uma prioridade dentro do PSD.

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