segunda-feira, 6 de abril de 2026
Investigação

Concurso da Câmara de Goiânia é suspenso após suspeita de fraude com candidato ligado à banca

Investigação do MP-GO apura possível favorecimento em seleção com mais de 34 mil inscritos e salários acima de R$ 10 mil

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 6 de abril de 2026
Concurso
Foto: Divulgação/Câmara de Goiânia

A suspeita de irregularidades em um concurso público de grande porte em Goiânia provocou a suspensão imediata do certame e mobilizou órgãos de controle. O processo seletivo, organizado pelo Instituto Verbena, ligado à Universidade Federal de Goiás, passou a ser alvo de investigação após indícios de possível favorecimento envolvendo um dos candidatos mais bem colocados.

A decisão de suspender o concurso partiu do próprio instituto, depois que vieram à tona informações de que o candidato classificado em primeiro lugar teria mantido vínculo profissional com a banca organizadora. 

Antes mesmo dessa medida, o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo, já havia encaminhado uma denúncia ao Ministério Público de Goiás, solicitando apuração rigorosa dos fatos. O documento foi embasado por análises da Comissão Permanente de Concurso Público e Estágio Probatório, que identificou possíveis inconsistências no processo.

O candidato em questão, que é servidor, obteve uma pontuação expressiva: 96 de 100 pontos possíveis, concorrendo a um cargo com remuneração superior a R$ 10 mil. No entanto, documentos revelam que ele ocupava o cargo de assistente administrativo na própria Universidade Federal de Goiás (UFG), estando lotado justamente no Instituto Verbena, responsável pela elaboração e aplicação das provas. 

Embora tenha solicitado afastamento em janeiro de 2025, sendo cedido à Defensoria Pública da União, há indícios de que ele continuou exercendo atividades vinculadas ao instituto.

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Outras informações

Reportagens institucionais indicam que, mesmo após a cessão, o candidato participou de eventos representando o Instituto Verbena. Um exemplo ocorreu em janeiro de 2026, quando ele aparece em registros oficiais de reuniões. Outro episódio ainda mais sensível aconteceu no dia 10 de março deste ano, apenas cinco dias antes da realização da prova, quando ele esteve em um evento em Campina Grande, na Paraíba, novamente vinculado ao instituto organizador do concurso.

O contrato entre a Câmara Municipal de Goiânia e o Instituto Verbena começou a ser articulado ainda em outubro do ano anterior, com valores que ultrapassam R$ 2 milhões. 

Já a prova foi aplicada no dia 15 de março, reunindo mais de 34 mil candidatos que disputavam 62 vagas para cargos de níveis médio e superior. A alta concorrência e os salários atrativos aumentaram a relevância do processo seletivo e também o impacto das suspeitas levantadas.

Diante desse cenário, o ponto central da investigação conduzida pelo Ministério Público é verificar se houve acesso privilegiado a informações sobre o conteúdo da prova ou qualquer tipo de favorecimento indevido. 

Além disso, há relatos de que pessoas próximas ao candidato também possuíam vínculos com o instituto, o que amplia ainda mais o campo de apuração. A expectativa agora é que o Ministério Público de Goiás conduza uma apuração detalhada.

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