segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Racha no partido

Ato de Gayer com lideranças nacionais servirá como termômetro do PL em Goiás

‘Acorda, Goiás’ acontece no próximo sábado (11) com presença de Nikolas Ferreira, Michelle Bolsonaro em clima de divisão interna do partido no Estado

Thiago Borgespor em
Montagem de fotos com Gayer e Wilder lado a lado
Fotos: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados e Edilson Rodrigues/Agência Senado

O “Acorda, Goiás”, evento organizado pelo deputado federal e pré-candidato ao Senado pelo PL goiano, Gustavo Gayer, irá reunir as principais lideranças do campo conservador no País no próximo sábado (11). Além de atrair líderes do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Estado, o encontro no Tatersal de Elite, na Pecuária de Goiânia, ocorre em meio ao racha interno do partido em Goiás.

Divulgado como apartidário por seus organizadores, o evento de Gayer terá a participação dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), André Fernandes (PL-CE); do senador Magno Malta (PL-ES); da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro; e do pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fará aparição remota.

O evento é tido como uma continuação da “caminhada pela liberdade” de Nikolas, que foi de Minas Gerais até Brasília junto de apoiadores no início do ano. O ato terá como pautas centrais a defesa da liberdade, dos valores da família e críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entretanto, o evento na capital goiana ocorre em meio ao clima de atritos no PL de Goiás. O evento deve servir como um termômetro da relação entre os diferentes grupos dentro da legenda de Bolsonaro, principalmente o do senador Wilder Morais e o do deputado federal Gustavo Gayer.

O partido se dividiu desde a decisão do presidente estadual, o senador Wilder Morais (PL), de lançar sua pré-candidatura ao Governo de Goiás. Uma ala dentro do PL, chefiada por Gayer, buscava firmar uma aliança com o governador Daniel Vilela (MDB).

De lá para cá, não há indícios de que o clima no partido tenha se amenizado. Prova disso é que, até o momento, não há confirmação de que Wilder irá comparecer ao evento capitaneado por Gayer.

Sem citações a Wilder

O “Acorda, Goiás” foi anunciado no dia 23 de março e tem tido uma ampla divulgação nas redes de Gayer. Só no Instagram já foram 16 publicações desde o anúncio do evento. Wider não aparece em nenhum dos posts. O pré-candidato do PL ao Palácio das Esmeraldas sequer foi citado nas publicações.

Assim como o senador ainda não foi confirmado no evento do próximo sábado, o deputado não participou do Rota 22, chefiado por Wilder, em Anápolis, no mês passado. A ausência na edição do evento do nome ao Governo de Goiás na 3ª maior cidade do Estado em número de eleitores e com forte apelo bolsonarista soou como um recado de Gayer para o PL goiano.

As divergências internas dos bolsonaristas do PL não são apenas entre Wilder e Gayer. Nos bastidores, a possibilidade de o deputado e pré-candidato ao Senado apoiar o deputado federal Ismael Alexandrino (PSD-GO) é cada vez mais especulada.

Antes da ida do ex-governador Ronaldo Caiado para o PSD, o acerto entre Alexandrino e o PL era certo. O parlamentar iria se mudar para a sigla bolsonarista e toda articulação foi conduzida por Gayer. Com Caiado no comando do partido de Gilberto Kassab em Goiás e a expectativa de uma chapa competitiva, Alexandrino permaneceu na sigla, mas mantém proximidade com o deputado bolsonarista.

Leia mais: PGR defende eleição direta para mandato-tampão no Rio de Janeiro

Articulação desagrada alas do PL

A possibilidade de Gayer apoiar a reeleição de um parlamentar de fora do PL desagradou algumas alas do partido. O entendimento é o de que, pela popularidade do parlamentar, seu apoio é imprescindível para ajudar o partido a alcançar os objetivos nas eleições proporcionais. Como já mostrado pela reportagem do jornal O HOJE, a sigla trabalha para conquistar cinco cadeiras da bancada goiana na Câmara dos Deputados.

Além disso, a possibilidade de Gayer apoiar um deputado filiado a um partido da base aliada de Daniel reforça a falta de sintonia entre o parlamentar e o projeto político do PL ao Governo do Estado, apontam interlocutores da legenda.

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