segunda-feira, 26 de outubro de 2026
ATAQUE NO LÍBANO

Cessar-fogo no Oriente Médio é firmado entre desacordos

Acordo mediado pelo Paquistão entra em vigor sob tensão, com ataques iranianos, bloqueio em Ormuz e ofensiva no Líbano

Lalice Fernandespor em
cessar-fogo
Casa Branca sustenta que Teerã garantiu a liberação do tráfego em Ormuz após relatos do seu fechamento (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)

O cessar-fogo condicional de duas semanas anunciado por Irã e Estados Unidos entrou em vigor nesta quarta-feira (8), mas passou a enfrentar incertezas poucas horas após o início, em meio a novos episódios de violência e divergências sobre o cumprimento do acordo. Mediada pelo Paquistão, a trégua previa a suspensão temporária das operações militares e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

O entendimento foi firmado na terça-feira (7), após mais de um mês de confrontos iniciados em 28 de fevereiro, quando forças dos Estados Unidos e de Israel realizaram ataques coordenados contra o território iraniano. A negociação ocorreu horas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar uma escalada militar caso a passagem marítima não fosse liberada.

Em publicação na rede Truth Social, ele havia afirmado que se o bloqueio fosse mantido “uma civilização inteira” iria morrer na noite de terça-feira “para nunca mais ser ressuscitada”. Posteriormente, declarou que aceitou a interrupção temporária das ações militares porque os Estados Unidos “já atingiram e superaram todos os objetivos militares”. Enquanto o governo iraniano afirmou que “a vitória do Irã no campo de batalha também será consolidada nas negociações políticas”.

 

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O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, responsável pela mediação, confirmou que o cessar-fogo entrou em vigor imediatamente e destacou que o acordo previa a retomada do tráfego marítimo durante o período de negociações. No entanto, a estabilidade da trégua foi colocada em dúvida ainda nas primeiras horas.

Israel ataca o Líbano e afirma que cessar-fogo não se aplica ao território

O governo iraniano informou que voltou a fechar o Estreito de Ormuz e alertou para a possibilidade de romper o acordo caso Israel mantivesse ataques no Líbano. A marinha do país declarou que embarcações que tentassem atravessar a hidrovia sem autorização seriam alvo de ataque. “Qualquer embarcação que tentar entrar no mar… será alvejada e destruída…”, afirmaram autoridades navais.

Ataques no território libanes ocorreram após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarar que o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos não se aplicaria às operações israelenses em território libanês. O Ministério da Saúde do Líbano informou que 254 pessoas morreram durante os ataques aéreos na quarta-feira, no que foi descrito como a maior ofensiva desde o início dos confrontos com o Hezbollah, no início de março.

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Foto: Reprodução

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, acusou Israel de atingir áreas densamente povoadas e pediu que moradores de Beirute liberassem as ruas para facilitar o trabalho de equipes de resgate.  Enquanto, o governo iraniano afirmou que pretende “punir” Tel Aviv pelas ações contra o Hezbollah e indicou que suas Forças Armadas já estavam identificando possíveis alvos.

Ainda, mesmo com a trégua em vigor, países do Golfo também registraram novos ataques. O Kuwait informou que drones iranianos atingiram instalações petrolíferas e usinas de energia, causando danos materiais. Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades relataram ações das defesas aéreas contra ataques, enquanto o Catar afirmou ter interceptado mísseis.

A Casa Branca, por sua vez, sustentou que o Irã teria garantido a liberação do tráfego no Estreito de Ormuz, mesmo após os relatos sobre a passagem ter sido fechada novamente. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que as negociações devem continuar durante o período de duas semanas, desde que a passagem marítima permaneça aberta “sem limitações ou atrasos”.

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