quarta-feira, 8 de abril de 2026
saúde

Dor nas costas: quando o incômodo do dia a dia vira sinal de alerta

80% da população mundial terá ao menos um episódio na vida, mas especialista alerta que dor persistente ou com irradiação exige avaliação imediata

Luana Avelarpor Luana Avelar em 8 de abril de 2026
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Foto: freepik

A dor nas costas figura entre as queixas mais recorrentes nos consultórios médicos e já é considerada um problema de saúde pública. Estimativas da OMS indicam que cerca de 80% da população mundial terá ao menos um episódio ao longo da vida. No Brasil, milhões de pessoas convivem com o desconforto de forma frequente, muitas vezes sem buscar avaliação especializada, o que pode agravar quadros inicialmente simples.

Apesar de, na maioria dos casos, estar relacionada a fatores como má postura, sedentarismo ou esforço físico, especialistas alertam que nem toda dor deve ser tratada como algo passageiro. “Grande parte das dores nas costas é de origem muscular e tende a melhorar em poucos dias. O problema é quando essa dor persiste, se intensifica ou passa a limitar as atividades do dia a dia. Nesses casos, ela deixa de ser comum e precisa ser investigada”, afirma o neurocirurgião da coluna Túlio Rocha.

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Quando a dor vira sinal de alerta

A fronteira entre uma dor comum e um quadro mais grave pode ser sutil. Segundo o especialista, alguns sinais indicam necessidade de atenção imediata: dor que se irradia para braços ou pernas, formigamento, dormência e perda de força muscular. Esses indícios podem apontar para comprometimentos neurológicos, como hérnia de disco ou compressão de nervos. “Quando há irradiação da dor ou alteração de sensibilidade, estamos diante de um possível envolvimento dos nervos da coluna. Isso exige avaliação médica o quanto antes”, alerta Rocha.

Impacto na rotina e risco da automedicação

A dor nas costas está entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil e pode comprometer a produtividade e o bem-estar. Em quadros crônicos, o problema também pode desencadear ansiedade e estresse, criando um ciclo que dificulta a recuperação. Ainda assim, é comum que pacientes recorram à automedicação ou ignorem os sintomas, o que pode atrasar diagnósticos importantes. “A dor é um sinal do corpo. Quando ela se torna frequente ou vem acompanhada de outros sintomas, não deve ser tratada apenas com analgésicos. O ideal é procurar um especialista para identificar a causa e iniciar o tratamento correto”, orienta o médico.

Prevenção e tratamento

A boa notícia é que, na maior parte dos casos, o tratamento não exige intervenção cirúrgica. Medidas conservadoras, como fisioterapia, fortalecimento muscular e mudanças no estilo de vida, costumam ser eficazes. A prática regular de atividade física, a atenção à postura e ajustes no ambiente de trabalho seguem sendo estratégias fundamentais tanto na prevenção quanto na recuperação.

A recomendação do especialista é direta: não normalizar o desconforto persistente. “Sentir dor ocasionalmente pode fazer parte da rotina, mas conviver com dor constante não é normal e nem deve ser ignorado. Quanto mais cedo investigarmos, maiores são as chances de um tratamento eficaz e menos invasivo”, reforça Rocha.

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