quinta-feira, 9 de abril de 2026
DEFESA DE INTERESSES

Relatórios apontam rede de pagamentos do Banco Master a políticos e veículos de comunicação

Documentos da Receita Federal e do Banco Central indicam repasses milionários ligados ao banco e levantam suspeitas sobre influência em Brasília

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 9 de abril de 2026
Michel Temer
Documentos de órgãos de controle revelam fluxo financeiro do Banco Master para políticos, ex-ministros e empresas de comunicação. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Relatórios produzidos pela Receita Federal e pelo Banco Central detalham um esquema de pagamentos realizados pelo Banco Master, comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, a políticos, ex-ministros e veículos de comunicação. Entre os nomes citados nos documentos está o ex-presidente Michel Temer, além do portal de notícias Metrópoles.

Além disso, o fluxo financeiro identificado inclui contratos de consultoria e serviços jurídicos. Segundo os órgãos de controle, os repasses estão sob análise para verificar se funcionaram como contrapartida à defesa de interesses do grupo financeiro em Brasília e também no Judiciário. Nesse contexto, as investigações buscam esclarecer a natureza e a finalidade desses pagamentos.

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Por outro lado, o Banco Central apura a conduta do ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza. De acordo com o relatório, ele teria simulado a venda de um sítio para Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, com o objetivo de ocultar o recebimento de vantagem indevida.

Paralelamente, a Receita identificou que a estrutura de pagamentos se estende a diversos políticos e ex-ministros, sugerindo uma rede de influência em diferentes esferas de decisão.

Repasses do Banco Master

Ainda conforme os documentos, o escritório de advocacia de Michel Temer teria recebido R$ 10 milhões em 2025. O ex-presidente afirma, no entanto, que o valor corresponde a um contrato de mediação jurídica de R$ 7,5 milhões, contestando os dados informados pelo banco.

Já o Metrópoles teria recebido cerca de R$ 27 milhões entre 2024 e 2025, quantia classificada como suspeita pelo Coaf, que também investiga se houve influência na cobertura jornalística ou possível blindagem mediática.

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