Mercado Imobiliário

Locação por temporada avança em Goiânia, mas impacto no aluguel tradicional ainda é limitado

Enquanto novos empreendimentos já nascem voltados ao modelo de temporada, especialista avalia que os efeitos sobre os aluguéis de longo prazo ainda são pontuais e não provocam alta generalizada nos preços

Letícia Leitepor em
Locação por temporada avança em Goiânia, mas impacto no aluguel tradicional ainda é limitado
A realização do MotoGP 2026 no Autódromo Internacional de Goiânia evidenciou o avanço das locações por temporada na Capital. Foto: Freepik

A realização do MotoGP 2026 no Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna evidenciou uma tendência que já vinha em crescimento na Capital: a expansão das locações por temporada. Durante o evento, a alta demanda por hospedagens provocou uma disparada nos preços e ampliou a visibilidade de plataformas digitais de aluguel. 

O movimento reforçou o potencial desse modelo de negócio em Goiânia e reacendeu discussões sobre seus efeitos no mercado imobiliário, especialmente em relação aos aluguéis tradicionais de longo prazo. Apesar da percepção, especialistas apontam que o impacto direto ainda é limitado.

Segundo o advogado especialista em mercado imobiliário, Diego Amaral, não há uma correlação direta entre o avanço das locações de curta duração e o encarecimento do aluguel convencional. “O avanço das locações por temporada impacta diretamente o sistema hoteleiro”, afirma. O setor passa a enfrentar uma concorrência maior e, muitas vezes, precisa ajustar preços para se manter competitivo. 

De acordo com ele, a influência sobre o mercado de moradia existe, mas de forma pontual. Imóveis compactos, como estúdios e unidades de um quarto, podem ser direcionados para locação por temporada por apresentarem maior potencial de rentabilidade. 

“Tem pessoas que preferem fazer locações por curta temporada, porque em regra, quando ele é um imóvel bem administrado e que tem uma rotatividade boa de locações, ele em regra dá um valor de faturamento”, continua. Ainda assim, o efeito sobre a oferta de moradia de longo prazo não é suficiente para alterar significativamente os preços de forma generalizada.

Riscos dos aluguéis por temporada

Se por um lado o modelo amplia possibilidades de renda para proprietários, por outro traz riscos importantes. A principal insegurança, segundo Amaral, está relacionada às regras internas dos condomínios, ele explica que quando não há previsão expressa na convenção condominial permitindo a locação por temporada, o proprietário fica vulnerável e a qualquer momento, o condomínio pode questionar e até impedir essa prática.

Nesse cenário, o risco não é apenas jurídico, mas também financeiro. Investidores que adquirem imóveis com foco exclusivo em locação de curta duração, sem verificar previamente as regras do empreendimento, podem ser obrigados a migrar para o aluguel tradicional, comprometendo a rentabilidade esperada.

Segundo Diego, o modelo também evidencia diferentes interesses dentro dos próprios condomínios. De um lado, usuários de locações temporárias aparecem como os principais beneficiados. Eles têm acesso a imóveis bem localizados, com estrutura completa e, muitas vezes, preços mais competitivos que hotéis, além de facilidades como cozinha equipada, áreas de lazer e serviços compartilhados.

Do outro lado, moradores fixos tendem a demonstrar resistência. A alta rotatividade de pessoas é frequentemente associada à sensação de insegurança e à perda de privacidade. Já proprietários e investidores defendem que há mecanismos de controle, como cadastros prévios e regras internas, que minimizem esses riscos.

Para Amaral, não se trata necessariamente de um desequilíbrio, mas de uma divergência de interesses. Quem busca moradia fixa tende a ser mais conservador em relação a esse modelo, já o investidor enxerga a oportunidade de rentabilidade, tendo visões diferentes sobre o uso do mesmo espaço.

Apesar das controvérsias, a tendência é de expansão. Empreendimentos lançados recentemente em Goiânia já incorporam, desde a concepção, a possibilidade de locação por temporada, inclusive com estruturas separadas para moradores e hóspedes. Esse formato busca reduzir conflitos e oferecer maior segurança jurídica.

“É uma tendência sem volta. O ano passado a gente teve um empreendimento lançado com essa característica que vendeu em um fim de semana”, afirma o especialista. Esse tipo de produto tem alta demanda e rápida absorção, é uma tendência que já se consolidou em grandes centros e chega com força às cidades em crescimento.

O movimento indica uma transformação no perfil do mercado imobiliário, que passa a atender, simultaneamente, moradia, investimento e hospedagem. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de regras claras para equilibrar interesses e evitar conflitos em um cenário cada vez mais dinâmico.

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