segunda-feira, 5 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Mercado de arte cresce no mundo e Goiânia amplia cena cultural

Crescimento da arte não esconde crise silenciosa no setor

Otavio Augustopor em
Mercado de arte cresce no mundo e Goiânia amplia cena cultural
Foto: Divulgação

O mercado global de arte voltou a crescer em 2025, mas o avanço de 4% registrado pelo relatório da Art Basel em parceria com o UBS revela um setor em transformação, pressionado por tensões econômicas, mudanças no comportamento do consumidor e reconfigurações estruturais que afetam desde grandes galerias até artistas emergentes.

Embora o crescimento sinalize recuperação após anos de instabilidade, o cenário está longe de ser homogêneo. O estudo aponta que o aumento foi puxado principalmente por vendas de alto valor e mercados consolidados, enquanto pequenas e médias galerias enfrentam queda na base de compradores. A média de clientes por galeria atingiu o menor nível desde 2021, refletindo uma retração na demanda, especialmente no segmento contemporâneo.

Pressões globais e custos em alta

Entre os principais entraves, o relatório destaca o aumento do protecionismo econômico e a possibilidade de novas tarifas comerciais, sobretudo envolvendo os Estados Unidos. Esse cenário dificulta a circulação internacional de obras de arte – um dos pilares do mercado – e encarece operações logísticas.

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Foto: Divulgação

Os custos de frete, seguros e participação em feiras internacionais também continuam em alta, comprimindo margens e exigindo maior planejamento financeiro por parte de galeristas e artistas. Além disso, a digitalização do consumo cultural tem alterado hábitos: segundo relatos de negociantes, cresce a substituição de obras físicas por experiências digitais, com telas e conteúdos virtuais ocupando espaço antes dedicado a quadros e esculturas.

Queda na especulação e reorganização do setor

Apesar das incertezas, há sinais de reequilíbrio. A análise de anúncios de galerias mostra que, embora tenham ocorrido fechamentos relevantes, o número de novas aberturas superou o de encerramentos em 2024, sugerindo uma regeneração do mercado.

Para Noah Horowitz, CEO da Art Basel, o ambiente desafiador tem levado empresas a rever estratégias e buscar maior sustentabilidade no longo prazo. “Momentos de incerteza tendem a estimular decisões mais racionais e foco em valor”, aponta.

Um dos efeitos observados é a redução da especulação no mercado de arte contemporânea, que nos últimos anos inflacionou preços de forma acelerada. Com isso, artistas jovens ganham mais tempo para desenvolver suas trajetórias, sem a pressão imediata por valorização comercial.

Leia também: Mercado de panificação se expande, mas exige mais que tradição para dar lucro

Feiras seguem centrais, mas com novo papel

As feiras internacionais continuam sendo pontos-chave de dinamização do setor, concentrando vendas e networking em poucos dias. No entanto, especialistas avaliam que seu papel vem sendo ressignificado: mais do que espaços de volume de negócios, tornam-se plataformas estratégicas de posicionamento e visibilidade em um mercado de ciclos longos.

Reflexos no Brasil e crescimento em Goiás

No Brasil, o mercado de arte acompanha essa dinâmica global, com crescimento moderado e maior diversificação de formatos. Além das grandes capitais, há uma expansão do interesse por eventos culturais em regiões fora do eixo tradicional.

Em Goiás, esse movimento tem se intensificado. Goiânia, em especial, vem registrando aumento na realização e na procura por feiras, exposições e festivais artísticos. Espaços independentes, coletivos e iniciativas públicas têm contribuído para ampliar o acesso à arte e formar novos públicos.

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Foto: Divulgação

Eventos culturais locais têm ganhado relevância não apenas como vitrines artísticas, mas também como impulsionadores econômicos, movimentando setores como turismo, gastronomia e economia criativa. A presença crescente de artistas goianos em circuitos nacionais também reforça a consolidação de um ecossistema cultural mais robusto.

Adaptação como marca do setor

A experiência recente mostra que o mercado de arte é resiliente. Choques como a pandemia de COVID-19 e conflitos geopolíticos, como a guerra na Ucrânia, forçaram adaptações rápidas, incluindo a digitalização de vendas e novas formas de interação com colecionadores.

Agora, diante de um cenário macroeconômico volátil, o setor volta a se ajustar. A leitura predominante entre especialistas é de cautela: não há projeções definitivas, mas sim a expectativa de um mercado mais seletivo, estratégico e menos especulativo.

O crescimento registrado em 2025, portanto, não representa apenas recuperação, mas uma transição. Entre pressões globais e novas oportunidades, o mercado de arte segue em movimento – e cada vez mais conectado a mudanças mais amplas na economia e no comportamento cultural.

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