terça-feira, 27 de outubro de 2026
Desafios das siglas

Partidos grandes, como UB e MDB, vivem dilema do excesso de nomes de peso

Especialistas ressaltam que situações como as dos deputados Cambão e Salim costumam gerar embates com membros que possuem menor potencial de voto

Marina Moreirapor em
partidos
“Não é o partido que não quer os grandes puxadores de voto, são os candidatos medianos”, explica especialista - Créditos: Alego/Divulgação e Hellenn Reis/Alego

Partidos da base do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), enfrentam impasses em relação ao interesse de nomes que buscam concorrer às eleições e que puxam muitos votos. A exemplo disso, há os deputados estaduais Wilde Cambão e Cairo Salim, ambos registrados no PSD, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e que enfrentam dificuldades em serem aceitos por outras siglas devido ao potencial dos dois de conquistar número expressivo de votos. 

Cambão busca a reeleição pelo União Brasil (UB) e Cairo Salim também pretende exercer mais um mandato na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), mas dessa vez pelo MDB. Informações de bastidores revelam que membros que desejam disputar uma vaga na Alego e que são filiados ao UB e MDB veem com apreensão a entrada de Cambão e Salim. 

Partidos
Wilde Cambão no UB e possibilidade de Cairo Salim integrar MDB mostram que objetivo de ambos no PSD seria inviável – Créditos: Sérgio Rocha e Divulgação Alego

A explicação para isso se dá pelo risco de ambos atraírem muitos votos e, de acordo com cálculos eleitorais, tornar inviável a possibilidade dos dois partidos conseguirem mais cadeiras na Alego para além das eventualmente destinadas aos deputados tidos como puxadores de votos. 

Cálculo eleitoral

De acordo com especialistas, o sistema proporcional, responsável por eleger vereadores, deputados estaduais e federais, obedece o chamado “sistema de proporcionalidade”. Esse modelo procura estabelecer o quantitativo de cadeiras que cada partido pode obter nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativa e na Câmara dos Deputados. 

O advogado eleitoralista Julio Meirelles lembra que é necessário seguir os parâmetros do quociente eleitoral, que é calculado pelo número de votos de acordo com a eleição dividido pelo número de cadeiras naquele Legislativo. 

Partidos
Créditos: Will Rosa/Alego

Tido o quociente eleitoral, é possível descobrir o número de cadeiras que cada legenda pode obter por meio da seguinte conta: número de votos obtidos pelo partido dividido pelo quociente eleitoral. O resultado da divisão é o quociente partidário. 

O quociente partidário é o número de cadeiras que cada partido obteve. A partir desse estágio, é possível consultar os nomes dos candidatos que foram eleitos e obtiveram o maior número de votos. 

Acesse também: Flávia e George Morais oficializam filiação ao MDB em evento com 500 lideranças

Para Meirelles, os problemas que afetam os deputados Cambão e Salim surgem nesse último estágio, pois os candidatos costumam liderar a lista de nomes com maior número de votos. “Daí é que vem o problema, pois os candidatos que podem se eleger com um número menor de votos em outros partidos não conseguem se eleger em legendas como o UB e MDB por conta de nomes competitivos como Cambão e Salim”, avalia o advogado eleitoralista. 

Nesse sentido, cabe ressaltar que diante da situação que se encontram os parlamentares em questão, não é correto afirmar que os partidos não desejam a presença de nomes competitivos e, sim, que tais pré-candidatos não são bem aceitos por membros do próprio partido e que possuem o potencial de se elegerem com um número menos de votos.

“Não é o partido que não quer os grandes puxadores de voto, são os candidatos medianos, aqueles que têm um menor número de votos e que conseguem se eleger em outros partidos, mas sabem que nos partidos grandes e com os puxadores de voto não vão conseguir ter êxito”, observa. 

Nomes grandes ofuscam os pequenos

Em concordância com Meirelles, o também advogado eleitoralista Dyogo Crosara diz que, “do ponto de vista eleitoral, não faz nenhum sentido os partidos contestarem o interesse de nomes competitivos em concorrerem às eleições”. “O que se sabe é que quando há um candidato com muitos votos, isso proíbe outros que ainda não possuem mandato de tentarem concorrer”, explica Crosara. 

Em relação à situação da base do governador e pré-candidato à reeleição ao Executivo estadual, Daniel Vilela, o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé afirma que há formas de acalmar os nervos em torno dos membros que compõem os partidos da base. “Há, sim, formas de pacificação, mas as estratégias a serem adotadas para alcançar isso dependerá de cada  sigla. Porque temos que saber até que ponto o Palácio das Esmeraldas teve envolvimento na formação das chapas”, pontua Zancopé. (Especial para O HOJE)    

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Tags:
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