sexta-feira, 10 de abril de 2026
ALERTA/SAÚDE

Você sabe o que é chikungunya? Entenda por que a doença preocupa ainda mais no período de chuvas

Doença transmitida pelo mesmo mosquito da dengue pode causar dores articulares intensas que duram meses

Thais Munizpor Thais Muniz em 10 de abril de 2026
Chikungunya
Evitar a proliferação do Aedes aegypti é uma das formas de prevenção da chikungunya. Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

Com o período chuvoso ainda presente no Centro-Oeste até maio, poças d’água continuam surgindo em quintais, calçadas e terrenos baldios. Esses pontos acumulam água parada e favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, conhecido por transmitir a dengue. O que muita gente não sabe é que esse mesmo vetor também pode espalhar outra doença: a chikungunya.

A infecção, causada pelo vírus chikungunya, é considerada de notificação compulsória pelas autoridades de saúde. Isso significa que os casos suspeitos e confirmados devem ser informados ao sistema de vigilância. O motivo é o potencial da doença em provocar dores articulares intensas, que podem limitar movimentos simples do dia a dia.

“A chikungunya é uma doença de notificação compulsória e representa riscos importantes à saúde, por conta de seu potencial em causar dor articular intensa e incapacitante. Esse quadro pode evoluir para a forma crônica, persistindo por meses ou até anos e comprometendo significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, afirma Aline Factur, enfermeira da área técnica de arboviroses da Gerência de Vigilância das Doenças Transmissíveis, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Como a doença se manifesta no corpo

A chikungunya se desenvolve em três fases clínicas. A primeira é a fase aguda, que costuma durar de cinco a 14 dias. Nesse período, a pessoa apresenta febre alta e dor intensa nas articulações.

Depois, começa a segunda etapa. A febre desaparece, mas as dores permanecem. Esse estágio pode se estender de 15 a até 90 dias. Mesmo sem febre, o desconforto articular continua presente e interfere nas atividades diárias.

Estima-se que mais da metade dos pacientes evolua para a terceira fase, conhecida como fase crônica. Nela, as dores articulares persistem por mais de 90 dias após o início dos sintomas. Esse quadro pode durar meses ou até anos.

Os principais sintomas incluem mal-estar, dor muscular, dor de cabeça, manchas avermelhadas pelo corpo que não coçam e, de forma mais característica, vermelhidão e dor aguda nas articulações, especialmente em joelhos, tornozelos, mãos, cotovelos e ombros.

Chikungunya
Arte: Agência Saúde DF

 

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Casos graves exigem atenção hospitalar

Embora a maioria das pessoas se recupere sem complicações mais severas, há registros de manifestações sistêmicas em casos considerados graves.

A enfermeira explica que a doença pode atingir outros sistemas do organismo. “Em casos mais graves, a doença pode apresentar manifestações sistêmicas, incluindo acometimentos neurológicos – como encefalite, mielite e síndrome de Guillain-Barré – e complicações cardíacas, renais e respiratórias.”

Segundo ela, internações hospitalares podem ser necessárias nessas situações. “Embora os óbitos sejam raros, casos graves podem demandar internação hospitalar e evoluir para morte, especialmente em idosos, crianças e pessoas com comorbidades, o que reforça a importância da vigilância, do diagnóstico oportuno e do acompanhamento adequado dos casos”, reforça.

Na rede pública do Distrito Federal, os exames laboratoriais para confirmação da chikungunya são realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública. O mesmo kit utilizado para diagnosticar dengue é empregado na identificação do vírus chikungunya.

“Na rede da SES-DF, os exames laboratoriais confirmatórios para chikungunya são disponibilizados pelo Lacen, sendo utilizado o mesmo kit de exame para a confirmação de dengue”, conclui.

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