Lula e Flávio investem em pautas sobre mulheres, eleitorado decisivo
Enquanto o petista sanciona projetos de lei que buscam favorecer o grupo, Flávio cogita nome feminino para a vaga de vice em chapa para o Planalto
A menos de seis meses das eleições no Brasil, o presidente da República e pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sancionou na última quinta-feira (9) um pacote de medidas de proteção às mulheres com o intuito de combater a violência doméstica. O conjunto de ações em defesa do público feminino inclui monitoramento eletrônico obrigatório, crime de vicaricídio e data para combate à violência contra mulheres e meninas indígenas.
Do ponto de vista político, é indispensável analisar as ações do petista em defesa das mulheres sem relacionar com o atual contexto pré-eleitoral que, inclusive, já aponta um cenário de polarização entre o eleitorado que direciona apoio a Lula contra aqueles que demonstram simpatia pelo senador e adversário do petista na corrida eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Assim como todo pré-candidato às eleições, os dois buscam olhar com atenção para públicos estratégicos e, na visão de especialistas, as mulheres compõem um grupo decisivo em qualquer disputa eleitoral.
Público majoritário
Pela primeira vez em cinco décadas, as mulheres são maioria em todas as grandes regiões do Brasil. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País tem uma população residente de 203.080.756. Desse total, 104.548.325 são mulheres, que representam 51,5% da população, e 98.532.431 são homens, 48,5%. O que significa que existe um excedente de 6.015.894 mulheres em relação ao número de homens.
Especialista avalia que é preciso olhar o público feminino não apenas como um bloco de votos, mas como um eleitorado fiel e responsável por definir qualquer candidatura ao cargo majoritário. Dessa forma, políticos que relativizam ou ignoram pautas femininas podem correr o risco de terem suas pré-candidaturas inviabilizadas, sobretudo em um eventual segundo turno.
A cientista política Rejaine Pessoa analisa as formas de atuação das diferentes pré-candidaturas ao Planalto no que tange a abordagem de discussões em torno de políticas públicas voltadas às mulheres.
“Os pré-candidatos utilizam estratégias de mediação. Lula utiliza o aparato estatal como sanção de leis para causar uma imagem de protetor do público feminino. Já a direita tem completa ciência da rejeição histórica que os grupos conservadores têm com as mulheres. Por isso, há apostas que sinalizam a escolha de um nome feminino para ocupar a vaga de vice nas pré-candidaturas de direita”, observa.
Direita em busca do voto feminino
Rejaine ressalta a intenção da direita em dar destaque a possíveis nomes femininos nas chapas que estão em processo de definição para concorrer às eleições de outubro. “A gente pode ver nomes como os de Michelle Bolsonaro (PL) e Tereza Cristina (PP-MS) cotados para ocuparem a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro, que concorre ao Planalto. Isso é uma tentativa de mitigação de todo o impacto negativo que a direita construiu no último mandato contra as mulheres”, comenta.
A especialista fala sobre o destaque que as políticas de segurança pública tiveram nos últimos tempos e faz uma comparação entre as ações defendidas por Lula com as adotadas pelo ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD). “É possível observar que, em 2026, as pautas sobre segurança pública e da mulher passaram por mudanças. Ronaldo Caiado defende pautas voltadas à segurança pública e destaca em seus discursos o modelo de segurança que aplicou em Goiás durante suas gestões.”

Ao falar sobre as táticas de Lula para abordar o assunto, Rejaine discorre sobre o uso do “arcabouço jurídico”, feito pelo presidente, como melhor caminho para tratar do combate à violência contra as mulheres. “Lula traz um arcabouço jurídico de segurança focado na violência doméstica. A gente percebe que a segurança é a palavra de ordem neste ano”, salienta a cientista política em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)