sábado, 31 de outubro de 2026
OPINIÃO

Caiado, Flávio e Lula precisam dizer o que têm para Goiás

Não adianta prometer continuidade ou se escorar no antipetismo: o eleitor goiano cobra propostas detalhadas, viáveis e conectadas à realidade do Estado

Nilson Gomespor em
Goiás
Candidatos à Presidência ainda não apresentaram propostas claras para Goiás, enquanto eleitores cobram soluções concretas para infraestrutura - Foto: Agência Brasil/Agência Senado/Secom-GO/Divulgação

A esquerda critica Flávio Bolsonaro (PL), alegando que seu único propósito para chegar à Presidência da República é indultar o pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão porque o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, entende que liderou uma tentativa de golpe de Estado. Os mesmos que atacam Flávio também não explicam o que pretendem fazer caso seu candidato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se reeleja para o quarto mandato. Os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD de Goiás) e Romeu Zema (Novo de Minas Gerais) também ainda não esclareceram por completo o que o Brasil pode esperar caso um deles triunfe. O único que tem circulado e apresentado promessas mais diretas é Renan Santos (Missão).

Em Goiás, não prospera a narrativa de “nós contra eles”. O eleitor local exige planejamento detalhado, com indicação clara de recursos, prazos e resultados. Foi assim que o Estado escapou da polarização mais intensa entre PT e PSDB nas primeiras eleições diretas, e continua sendo assim agora.

A tentativa de impor a disputa entre extrema direita e esquerda também não se consolidou. Em 2018, Ronaldo Caiado venceu no primeiro turno. Em 2020, em Goiânia, lulismo e bolsonarismo ficaram fora das primeiras posições. Em 2022, o cenário se repetiu, com Caiado reeleito ainda no primeiro turno. Já em 2024, o PL chegou ao segundo turno na capital, mas foi derrotado. A mensagem é clara: discurso ideológico, sozinho, não sustenta candidatura em Goiás.

O eleitor quer mais do que marketing. Quer propostas concretas. Não há espaço para promessas vazias, nem para campanhas baseadas em música, vídeo ou encenação. A história política do Estado mostra que vence quem apresenta soluções palpáveis.

Ainda assim, a fé nas promessas permanece. O plano de metas dos presidenciáveis deve ter peso decisivo, principalmente porque Goiás ficou à margem das grandes obras federais nos últimos anos. Entre os poucos exemplos recentes estão a duplicação da BR-060, no governo Dilma Rousseff, investimentos em saúde durante o governo Jair Bolsonaro e a barragem do Rio João Leite, viabilizada ainda em 2010.

As demandas, porém, são inúmeras. A BR-153 simboliza a lentidão federal, com décadas de espera e condições precárias, apesar da cobrança de pedágios elevados. Outros trechos estratégicos seguem sem duplicação ou ampliação, prejudicando o escoamento da produção.

Essas rodovias atendem a todo o País, não apenas a Goiás. Mesmo assim, o Estado segue dependente de recursos pontuais e sem planejamento estratégico. Há potencial mineral, mas falta infraestrutura adequada e industrialização.

O modelo rodoviário, adotado desde os anos 1950, mostra sinais de esgotamento. Faltam investimentos em aeroportos regionais, integração ferroviária, hidrovias e soluções ambientais para rios assoreados. Também há carência de incentivo à inovação e ao empreendedorismo.
Diante disso, a pergunta que permanece é direta: qual dos candidatos está disposto a apresentar soluções reais para os problemas de Goiás?

 

Leia também: Caiado começa a incomodar Lula. Imagine quando chegar a 15%

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