domingo, 25 de outubro de 2026
Entrevista / Momento Político

Em entrevista ao O Hoje, Zema propõe “triagem técnica” para novos indicados ao STF

Ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato a presidente criticou a atuação de ministros, propôs mudanças no Judiciário e exigências para beneficiários de programas sociais

Thiago Borgespor em
Romeu Zema em entrevista ao O HOJE
“Hoje a credibilidade está em falta. Quem tem credibilidade lá em Brasília?” | Foto: Gabriel Louza/O HOJE

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), visitou o Grupo O HOJE nesta quinta-feira (23) e participou do programa “Momento Político”. Em entrevista conduzida pelo jornalista Wilson Silvestre, o presidenciável apresentou críticas ao Judiciário, detalhou propostas de reforma para o Supremo Tribunal Federal (STF) e comentou a relação que pretende estabelecer com o Congresso Nacional.

Questionado sobre o momento da Corte, Zema criticou a atuação do STF e classificou o atual corpo de ministros como “intocáveis”. O ex-governador de Minas afirmou que é “impossível o Brasil avançar com um STF tão politizado”. O pré-candidato ao Planalto defendeu uma atuação contida dos magistrados da Suprema Corte e uma reforma no modelo de aprovação de um novo ministro. 

Zema disse que, caso seja eleito presidente, fará com que a idade mínima para novos indicados ao STF seja de 60 anos. O ex-governador comparou o cargo de ministro da Corte à importância do papa para a Igreja Católica. “Você já viu um papa de 35 anos? Ir para a Suprema Corte é o equivalente a ser Papa na área jurídica, mas hoje os ministros não têm um notável saber na área.”

Além da idade, o plano de Zema para o STF prevê que os futuros indicados passem por uma “triagem técnica” antes da nomeação. O processo proposto envolveria a participação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Ministério Público Federal (MPF), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dos Tribunais de Justiça dos Estados. 

“Dessa forma, vamos fazer com que vá para o Supremo gente qualificada, como foi na maior parte da história brasileira”, frisou o ex-governador mineiro. O único poupado pelo pré-candidato do Novo foi o ministro André Mendonça, citado como exemplo de ministro “técnico e ponderado”. “Se todos os 11 ministros do STF tivessem o perfil do André Mendonça, tenho certeza que o País estaria em uma situação melhor.”

“Se todos os 11 ministros do STF tivessem o perfil do André Mendonça, tenho certeza que o País estaria em uma situação melhor”

Para Zema, a atuação do Supremo causa, atualmente, mais insegurança do que tranquilidade aos brasileiros. “O Supremo sempre foi um porto seguro. Sempre foi o bombeiro que a República podia chamar quando um incêndio surgia. Mas, com esse STF de ministros que foram indicados de qualquer maneira, é o advogado do Lula, é advogado do PT, é ministro do Lula, está virando esse monstrengo. Ao invés de bombeiros, eles viraram os incendiários”, disparou o ex-governador. 

Questionado sobre uma possível transformação também no Congresso Nacional, Zema disse acreditar que os deputados e senadores irão seguir o “bom exemplo”. “Você já deve ter escutado que 20% das pessoas tendem a ser corruptas e 20% tendem a ser corretas. Os outros 60% ficam susceptíveis a ir para um lado ou para o outro. No dia que nós tivermos um presidente com credibilidade, ética, que dê bons exemplos, boa parte do Congresso vai migrar de lado”, declarou. 

O ex-governador comparou a situação com a que viveu em Minas Gerais, quando iniciou seu primeiro governo em 2019. “Quem não quer ficar ao lado de quem é bem avaliado? De quem entrega resultado? Foi o que aconteceu comigo em Minas Gerais. Quando eu comecei em janeiro de 2019, havia uma desconfiança enorme com relação a um candidato que nunca tinha sido político”, frisou Zema. “Hoje a credibilidade está em falta. Quem tem credibilidade lá em Brasília? É raro.” 

 

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“No dia que nós tivermos um presidente com credibilidade, ética, que dê bons exemplos, boa parte do Congresso vai migrar de lado” | Foto: Gabriel Louza/O HOJE

“Os ministros do Supremo, ao invés de bombeiros, se tornaram os incendiários da República”

O ex-chefe do Executivo mineiro também tratou sobre sua pré-campanha ao Planalto. Zema disse que, após a expansão de sua empresa no início dos anos 1990 e a disputa eleitoral de 2018, esta é a sua “terceira jornada na vida”. O pré-candidato a presidente destacou que, assim como descobriu as complexidades do Estado em sua campanha para o governo estadual há oito anos, pretende descobrir o Brasil com as andanças de pré-campanha. 

Sobre os programas sociais, Zema disse garantir que irá propor normativas para os beneficiários de programas sociais. Entre as propostas do presidenciável está a exigência de que as pessoas atendidas por programas como o Bolsa Família concluam o Ensino Fundamental, o Ensino Médio e cursos profissionalizantes.  

O ex-governador mineiro também afirmou que fará proposta para que os beneficiários prestem serviços voluntários para as prefeituras, além de cortar os auxílios governamentais para aqueles que recusarem propostas de emprego formal.

Entrevista com Romeu Zema na íntegra:

 

Leia mais: Mendonça concede prisão domiciliar a filho de ex-diretor do INSS

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Entrevista Romeu Zema STF Supremo

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