sexta-feira, 24 de abril de 2026
Bushehr

Irã negocia construção de usinas nucleares com a Rússia

Teerã negocia acelerar obras na usina de Bushehr com Moscou em meio à guerra e pressão dos EUA sobre programa nuclear

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 24 de abril de 2026
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Foto: Reprodução/ @araghchi

O Irã intensificou as negociações com a Rússia para acelerar a construção de novas unidades da usina nuclear de Bushehr, em meio à guerra com os Estados Unidos e à pressão internacional sobre seu programa nuclear. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (24) pelo embaixador iraniano em Moscou, Kazem Jalali, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Fars News Agency.

Segundo o diplomata, Teerã mantém contato com autoridades russas para garantir a continuidade das obras e a retomada dos trabalhos por parte da estatal Rosatom, responsável pela operação do complexo. “Estamos em contato com a Rússia para concluir a usina nuclear de Bushehr. Esperamos que o processo de construção e conclusão das novas unidades da usina nuclear de Bushehr seja realizado mais rapidamente”, afirmou.

A declaração ocorre durante um cessar-fogo que já dura duas semanas entre iranianos e norte-americanos, enquanto negociações seguem em curso. Uma das principais exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é que o Irã abandone seu programa nuclear, considerado estratégico por Teerã.

A usina de Bushehr, localizada no sul do país, é a única em operação no Irã e depende da cooperação técnica russa para sua expansão. Durante o conflito no Oriente Médio, áreas próximas ao complexo foram atingidas por projéteis, resultando na morte de um funcionário. Apesar do impacto, autoridades afirmam que as estruturas principais não foram danificadas e a produção segue normal.

 

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A Agência Internacional de Energia Atômica informou que não houve aumento nos níveis de radiação, mas alertou para os riscos de ataques a instalações nucleares. O diretor do órgão, Rafael Grossi, reforçou que instalações nucleares não podem nunca ser atacadas e pediu restrição das atividades militares na região.

Ainda, em junho de 2025 durante a chamada “guerra dos 12 dias”, um ataque norte-americano direto ao local foi classificado como potencialmente catastrófico pela Agência Internacional de Energia Atômica.

Programa nuclear iraniano é um dos principais pontos de tensão com os EUA

Paralelamente, a Rússia voltou a se posicionar como mediadora em questões sensíveis do programa nuclear iraniano. O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, segundo a agência de notícias estatal TASS, afirmou que Moscou está disposta a ajudar na conversão do urânio altamente enriquecido do Irã em combustível nuclear ou material para armazenamento, sem violar o direito do país ao uso pacífico da tecnologia.

Os estoques de urânio enriquecido são um dos principais pontos de impasse nas negociações entre Irã e Estados Unidos, por serem considerados um passo importante para o desenvolvimento de armas nucleares. Esse mês Trump chegou a afirmar que Teerã concordou em “devolver o ‘pó’ nuclear”, mas o governo iraniano negou a afirmação do norte-americano: “O urânio enriquecido do Irã não vai ser transferido para lugar nenhum”.

Bloqueio dos EUA em Ormuz pode se tornar global

Enquanto isso, o cenário militar segue pressionando a diplomacia. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio naval no Estreito de Ormuz está se ampliando. “Ninguém navega do Estreito de Ormuz para qualquer lugar do mundo sem a permissão da Marinha dos Estados Unidos”, disse.

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Donald Trump e Pete Hegseth (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)

A medida, somada à apreensão recente de navios iranianos, amplia a tensão regional e ocorre ao mesmo tempo em que a Casa Branca sinaliza avanços nas negociações. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou: “Certamente observamos algum progresso por parte do Irã nos últimos dois dias. Novamente, o presidente tomou a decisão de enviar Steve e Jared para ouvir os iranianos, então veremos o que eles têm a dizer”.

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