terça-feira, 28 de abril de 2026
Mobilidade Urbana

Mudanças na BR-153 prometem diminuir trânsito na Grande Goiânia

Obras do novo Anel Viário da Região Metropolitana irão ganhar licitação em breve para sua realização. Projeto tem objetivo de desviar caminhões e veículos de longa distância do trajeto atual da rodovia

João Césarpor João César em 28 de abril de 2026
BR-153
Obras do novo Anel Viário da Região Metropolitana irão ganhar licitação em breve para sua realização. Projeto tem objetivo de desviar caminhões e veículos de longa distância do trajeto atual da rodovia - Foto: Divulgação/DNIT

A BR-153, no perímetro urbano de Goiânia, passará por mudanças, que devem solucionar um problema estrutural no trânsito da Capital. O governo federal está preparando a licitação para o novo Anel Viário da Grande Goiânia. Essa obra tem como objetivo principal desviar caminhões e veículos de longa distância do trajeto atual da rodovia, estabelecendo uma nova rota externa para motoristas em viagem pelo País.


O edital para contratação da empresa responsável pelas obras deve ser publicado entre abril e maio, após a finalização do projeto técnico desenvolvido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em Goiás. Com a implantação do novo Anel Viário, o tráfego de passagem que atualmente utiliza a BR-153 dentro da Região Metropolitana será redirecionado para esse corredor rodoviário, projetado para contornar Goiânia fora do perímetro urbano.


A estrutura prevista terá 44 quilômetros de extensão, com seis faixas principais e vias marginais. A proposta é interligar diferentes rodovias da região sem a necessidade de atravessar Goiânia ou Aparecida de Goiânia. Dessa forma, motoristas que seguem para Estados como Minas Gerais, São Paulo ou para o Distrito Federal poderão utilizar o novo trajeto, evitando pontos de congestionamento hoje registrados na BR-153.


Demanda por um Anel Viário na Capital

 

A proposta de implantação de um anel viário em Goiânia não é recente e acompanha o crescimento urbano da Capital ao longo das últimas décadas. O tema começou a ser discutido ainda em 1995, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando foi construído um contorno viário até a região da Eternit, no bairro Chácaras Anhanguera, na região Oeste da cidade. 

 

Naquele momento, a iniciativa já apontava para a necessidade de desviar o tráfego de passagem do perímetro urbano. A nova etapa do projeto amplia e prevê a extensão do anel para outros municípios da Região Metropolitana, acompanhando a expansão urbana e o aumento da circulação de veículos.

Apesar da importância da proposta, o projeto permaneceu sem avanços significativos por cerca de três décadas. Ao longo desse período, o crescimento populacional, a expansão de áreas industriais e o aumento da frota intensificaram a pressão sobre as principais vias da Capital, especialmente a BR-153, que passou a concentrar diferentes funções de mobilidade. Esse cenário reforçou a necessidade de retomada do projeto como alternativa para reorganizar o fluxo viário na região.

 

Recentemente, no mês de fevereiro, a construção do novo Anel Viário da Grande Goiânia avançou com a inclusão do projeto no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), do governo federal. A medida avança o andamento da obra, que passa a integrar o planejamento nacional de infraestrutura, ampliando as possibilidades de execução.

 

Com a inclusão no PAC, os recursos necessários para a realização da obra passam a ser garantidos pela União. O anúncio foi feito no dia 9 de fevereiro, pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil), que destacou a relevância da iniciativa para a mobilidade urbana e regional, especialmente diante do crescimento contínuo da Região Metropolitana.

 

A articulação para viabilizar essa inclusão ocorreu em Brasília e envolveu o deputado federal José Nelto (União Brasil), o senador Vanderlan Cardoso (PSD) e outros integrantes da bancada goiana no Congresso Nacional, o que demonstra a mobilização política em torno do projeto. Segundo o prefeito, a inclusão no programa assegura as condições financeiras necessárias para a execução de uma obra classificada como estratégica para o desenvolvimento urbano. Ele também ressaltou que o apoio dos parlamentares foi decisivo para o avanço da proposta e para a inserção do projeto na agenda federal.

 

Na avaliação do professor do Instituto Federal de Goiás e especialista em mobilidade urbana, Marcos Rothen, a construção do anel viário responde a uma demanda acumulada ao longo dos anos e tende a impactar diretamente a dinâmica de circulação na região. “A BR-153, que era uma rodovia para atender Goiânia e os viajantes, passou a também ser uma avenida com muitas atividades comerciais e industriais, e uma grande movimentação de veículos percorrendo este trecho da BR, contribuindo para congestionar a via”, explica.

 

Custos para execução da obra e detalhes do projeto

BR-153
Segundo especialista, a construção do anel viário responde a uma demanda acumulada ao longo dos anos no trânsito da Capital – Foto: Divulgação

 

O projeto do Anel Viário da Grande Goiânia possui orçamento estimado em R$ 948 milhões, conforme valores atualizados pelo Sistema de Custos Referenciais de Obras (Sicro), e deve alcançar aproximadamente 44 quilômetros de extensão. O traçado foi planejado para iniciar em Goianápolis, nas proximidades do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-153, e seguir por municípios estratégicos da Região Metropolitana, como Senador Canedo, Goiânia e Aparecida de Goiânia, até chegar à região de Hidrolândia.

 

A estrutura prevista envolve um conjunto de intervenções de grande porte, com a construção de 45 obras de engenharia, entre elas 10 pontes e 35 viadutos. Além disso, o projeto contempla cerca de 26 quilômetros de conexões com outras rodovias, o que amplia a integração logística da malha viária regional. O tipo de pavimento escolhido é o solo-cimento com revestimento rígido, solução que busca garantir maior durabilidade e resistência ao fluxo intenso de veículos, especialmente de carga.

 

A projeção de Volume Médio Diário (VMD) para o ano de 2035 é de 21.844 veículos, número que reflete a expectativa de crescimento da circulação na região ao longo dos próximos anos. Esse dado é utilizado como base para dimensionar a capacidade da via e orientar o planejamento da infraestrutura.

 

O objetivo da obra é retirar o tráfego pesado da BR-153, contribuindo para a redução de congestionamentos e para a reorganização do fluxo viário na Capital e em seu entorno. A expectativa é que a separação entre o tráfego de longa distância e os deslocamentos locais melhore as condições de circulação e reduza conflitos entre diferentes tipos de usuários.

 

Segundo Rothen, essa mudança também tem impacto direto na segurança viária. “Isso também afeta a segurança dos usuários, pois tem um movimento de veículos de pequeno porte, como as motos e muitos pedestres que precisam atravessar a BR. Dessa forma a construção de um novo anel viário, desviando o trânsito de passagem (veículos pesados e de transporte de cargas), vai atender tanto os que apenas passam quanto os que continuarão usando a atual BR para deslocamentos menores”, destaca.

 

O especialista também chama atenção para a forma de implantação da nova via, especialmente em relação ao controle de acessos e ao uso do entorno. “O acesso ao anel viário deve ser restrito em poucos pontos, evitando a ocupação que ocorreu no trecho da BR-153. Assim a logística de carga vai poder ter mais rapidez, isso tanto para os que passam como para os que circulam pela região”.

 

Na avaliação dele, a obra tende a impactar diretamente o transporte de cargas, que atualmente enfrenta limitações ao circular pelo perímetro urbano. A expectativa é que a nova estrutura contribua para reduzir o tempo de deslocamento e reorganizar a dinâmica logística da Região Metropolitana, ao mesmo tempo em que diminui os riscos associados à convivência entre veículos pesados e o tráfego urbano.

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