sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Renda

Veja quanto é preciso ganhar para estar entre os 10% mais ricos do Brasil, segundo o IBGE

Levantamento aponta que 10% mais ricos concentram mais de 40% da renda nacional

Otavio Augustopor em
Veja quanto é preciso ganhar para estar entre os 10% mais ricos do Brasil, segundo o IBGE
Foto: Divulgação

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que ganhar cerca de R$ 5 mil por mês já pode colocar um brasileiro entre os 10% mais ricos do país. As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, conhecida como PNAD Contínua, divulgada nesta sexta-feira (8).

O levantamento analisa como a renda está distribuída entre a população brasileira. Além disso, mostra diferenças entre as faixas de rendimento e o avanço da concentração de renda no topo da pirâmide social.

Segundo a pesquisa, o rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios brasileiros ficou em R$ 2.264 em 2025. O cálculo considera toda a renda recebida pela residência dividida pelo número de moradores.

Ainda assim, o dado esconde diferenças significativas entre os grupos de menor e maior renda.

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Foto: Divulgação

Base da pirâmide vive com menos de R$ 600

Na faixa mais baixa da distribuição de renda, os 5% mais pobres registraram rendimento médio de R$ 166 por pessoa em 2025. Já entre os 10% com menores rendimentos, a média foi de R$ 268 mensais.

Quando o recorte considera os 20% mais pobres do país, a renda domiciliar per capita permaneceu abaixo de R$ 600 por mês.

Outro indicador apresentado pelo IBGE foi a mediana da renda. O valor ficou em R$ 1.311 por pessoa. Isso significa que metade da população brasileira vive com rendimento inferior a essa quantia mensal.

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O analista do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, explicou que a renda mais elevada entre os grupos do topo influenciou os indicadores de desigualdade em 2025.

“O crescimento do topo acabou contribuindo para a percepção de uma leve oscilação positiva da desigualdade”, afirmou.

Além disso, a pesquisa apontou que os 10% mais pobres tiveram crescimento proporcional maior da renda entre 2019 e 2025. Entretanto, como os valores de partida eram baixos, os rendimentos permanecem reduzidos.

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Topo da renda começa antes do imaginado

Um dos dados que mais chamaram atenção no levantamento foi o rendimento médio dos 10% mais ricos do Brasil. Segundo o IBGE, esse grupo registrou renda média de R$ 3.590 por pessoa em 2025.

Na prática, trabalhadores assalariados com salário em torno de R$ 5 mil mensais, especialmente em domicílios menores, já podem integrar essa faixa da população.

Os números do mercado de trabalho ajudam a explicar o cenário. Em 2025, o rendimento médio dos trabalhadores ocupados foi de R$ 3.560, valor próximo ao registrado entre os brasileiros situados entre os 10% mais ricos.

Apesar disso, as diferenças dentro do topo da renda seguem elevadas.

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Entre os 5% mais ricos, o rendimento médio mensal ficou em R$ 5.519 por pessoa. Já entre os brasileiros localizados entre os 96% e 99% do topo da distribuição, o rendimento médio alcançou R$ 9.648 mensais.

No grupo correspondente ao 1% mais rico do país, a renda média chegou a R$ 24.973 por pessoa em 2025.

Centro-Oeste aparece entre regiões de maior renda

A pesquisa também apontou diferenças regionais na distribuição de renda. O Centro-Oeste apareceu entre as regiões com maior rendimento médio por pessoa em 2025.

Segundo o IBGE, parte desse crescimento foi impulsionada pelo desempenho do Distrito Federal, especialmente entre empregadores e trabalhadores do setor público.

O levantamento ainda destacou aumento nos ganhos com aplicações financeiras, aluguel e arrendamento. Esses fatores contribuíram para o avanço da renda entre as classes de maior rendimento.

Ao mesmo tempo, os dados mostram manutenção da desigualdade social no país. Em 2025, os 10% mais ricos concentraram 40,3% de toda a renda das famílias brasileiras. Já os 70% com menores rendimentos ficaram com 32,8% desse total.

Na base da pirâmide, os 10% mais pobres concentraram apenas 1,2% da renda nacional.

Outro indicador apontou que os 10% mais ricos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres em 2025. No ano anterior, a diferença era de 13,2 vezes.

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Tags:
Brasil desigualdade Economia IBGE PNAD Contínua renda salários

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