sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Operação Contaminatio

Fundação ligada a empresário preso por suspeita de elo com o PCC mantém contratos de R$ 141 milhões com governo de Goiás

Investigado na Operação Contaminatio, Adair Meira aparece como instituidor e dirigente da Fundação Pró-Cerrado, que possui acordos ativos com o Estado até 2026

Micael Mourapor em
Fundação
Foto: Divulgação

O empresário Adair Antônio de Freitas Meira, preso durante a Operação Contaminatio por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital, é ligado à Fundação Pró-Cerrado, entidade que mantém contratos ativos de R$ 141,5 milhões com o governo de Goiás.

As informações foram reveladas em reportagem do UOL publicada nesta segunda-feira (11). Segundo o levantamento, os contratos foram firmados entre 2021 e 2025 e seguem vigentes mesmo após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo.

Adair Meira é um dos principais alvos da Operação Contaminatio, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente utilizado para movimentar recursos ilícitos ligados à facção criminosa. A defesa do empresário nega qualquer irregularidade ou vínculo com o PCC.

Leia mais: Quem é o fundador do Sistema Sagres preso em Goiás suspeito de movimentar R$ 34 milhões para o PCC

De acordo com os documentos levantados pela reportagem, a Fundação Pró-Cerrado atua como prestadora de serviços terceirizados para o Estado, fornecendo apoio técnico especializado, motoristas, auxiliares administrativos e operadores de call center.

Contratos e aditivos seguem válidos até 2026

Entre os contratos citados está o Contrato 039/2025, firmado com a Secretaria da Economia de Goiás no valor de R$ 28 milhões para fornecimento de mão de obra especializada de nível superior. O documento foi assinado eletronicamente em novembro de 2025 pelo então secretário da Economia, Francisco Sérvulo Freire Nogueira.

Além disso, termos aditivos ampliaram a vigência de outros contratos da fundação com o governo estadual:

  • Contrato de motoristas prorrogado até outubro de 2026, com valor superior a R$ 4,1 milhões;
  • Serviço de teleatendimento mantido até julho de 2026, somando R$ 3,4 milhões;
  • Contrato de auxiliares administrativos renovado até agosto de 2026, no valor de R$ 23,1 milhões.

Ligação pública com a Fundação Pró-Cerrado

A relação de Adair Meira com a fundação aparece no próprio site institucional da entidade, onde ele é apresentado como “Diretor-Secretário Geral” e instituidor da organização criada nos anos 1990.

Registros oficiais também mostram a participação do empresário em eventos do governo estadual. Em 2021, Meira participou do lançamento do programa “Aprendiz do Futuro”, promovido pela Secretaria da Retomada, ao lado do então governador Ronaldo Caiado.

Caiado diz que não havia denúncias contra entidade

Procurado pelo UOL, Ronaldo Caiado afirmou que não havia denúncias contra a fundação à época da assinatura dos contratos e negou responsabilidade direta sobre os acordos.

“Por que eu deveria pedir uma investigação contra uma empresa que ganhou uma concorrência pública se não existia nenhuma denúncia contra ela quando eu era governador?”, afirmou em nota.

Caiado também destacou que a Fundação Pró-Cerrado mantém contratos com outros estados e órgãos públicos desde 2004 e classificou as suspeitas envolvendo sua gestão como tentativas de desgaste político.

A Operação Contaminatio segue investigando a existência de uma estrutura voltada à lavagem de dinheiro oriundo de diferentes atividades criminosas.

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