sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Decisão judicial

Demolições e desocupações no setor Estrela D´Alva em Goiânia foram suspensas pela justiça

O caso começou no dia 4 de maio, quando moradores receberam notificações da Secretaria Municipal de Eficiência (SEFIC) que determinou a desocupação dos imóveis

Marina Moreirapor em
justiça
Após analisar os relatos e documentos apresentados pelos moradores, a DPE-GO ingressou na Justiça com pedido para suspender remoções, demolições e qualquer ato de turbação da posse - Créditos: Gustavo Burns - Dicom/DPE-GO

A atuação da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) garantiu, na última sexta-feira (15), a suspensão das remoções e demolições previstas no Setor Estrela D’Alva, em Goiânia, após decisão judicial favorável às famílias ameaçadas pelas obras de ampliação da Avenida Goiás Norte. A medida foi concedida após pedido de tutela cautelar apresentado pelo Núcleo Especializado de Direitos Humanos (NUDH) da Instituição.

A subcoordenadora de Questões Fundiárias e Urbanísticas do NUDH, defensora pública Carolina Byrro, afirma que a Defensoria identificou irregularidades nas notificações expedidas pelo Município. “O município não pode promover desocupações sem garantir previamente contraditório e ampla defesa. Não se trata de uma ocupação recente, mas de famílias e comerciantes que vivem no local há décadas”, considerou.

O caso começou no dia 4 de maio, quando moradores receberam notificações da Secretaria Municipal de Eficiência (SEFIC) que determinou a desocupação dos imóveis em prazos de 5 a 15 dias, sob alegação de ocupação irregular de área pública. As notificações atingiram imóveis localizados nas regiões da Avenida 9 de Julho, Rua 17 de Março, Rua Sol Nascente e Rua Estrela D’Alva.

No dia 06 de maio, um morador procurou a DPE-GO e apresentou documentos que comprovavam a posse do imóvel desde 2003. Diante da situação, a Defensoria encaminhou ofício ao Município solicitando esclarecimentos técnicos e jurídicos sobre as notificações e sobre a natureza da área apontada como pública, mas não obteve respostas. Ainda na noite do mesmo dia, fiscais da Prefeitura e agentes da Guarda Civil Metropolitana realizaram operação com tratores e maquinários na região, promovendo derrubada de cercas e muros.

Após analisar os relatos e documentos apresentados pelos moradores, a DPE-GO ingressou na Justiça com pedido para suspender remoções, demolições e qualquer ato de turbação da posse. Na ação, a Instituição argumentou que houve violação ao direito à moradia, ausência de devido processo legal e falta de garantias mínimas às famílias atingidas.

A Defensoria também apontou que o Município não apresentou plano de reassentamento, indenização ou alternativa habitacional para os moradores afetados. Segundo a defensora pública Carolina Byrro, qualquer intervenção pública deve respeitar os direitos fundamentais das famílias envolvidas e garantir proteção social adequada.

Outro ponto levantado pela DPE-GO foi a falta de comprovação técnica sobre a natureza pública da área. Durante a análise do caso, a Instituição realizou consultas ao sistema “Mapa Fácil Digital Goiânia” e verificou que os lotes atingidos não apareciam identificados como áreas públicas municipais. “Não foram apresentados estudos técnicos ou documentos suficientes que comprovassem efetivamente que a área pertence ao poder público”, explica a defensora.

Decisão judicial

Após a atuação da DPE-GO, a Justiça determinou a suspensão imediata de qualquer ato que prejudique a posse dos moradores da região da Rua 17 de Março até que sejam garantidos contraditório e ampla defesa. A decisão também determinou o envio do caso à Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), além da citação do Município para apresentar contestação e da manifestação do Ministério Público. A Justiça considerou a ausência de processo administrativo adequado, a falta de informações sobre reassentamento das famílias e o risco de dano irreversível causado pelas remoções e demolições.

Acesse também: Criança atacada por onça na Chapada dos Veadeiros segue estável após cirurgia

Para a DPE-GO, a suspensão das medidas abre espaço para diálogo e análise técnica sobre a real necessidade das desocupações previstas para a obra da Avenida Goiás Norte. “A partir dessa decisão, será possível discutir tecnicamente a situação da área e avaliar a necessidade das desocupações previstas”, ressaltou Carolina Byrro. A Defensoria continua o acompanhamento do caso junto à Comissão de Soluções Fundiárias do TJ-GO para garantir o direito à moradia e a proteção das famílias afetadas.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
desocupação Goiânia Justiça

Veja também

Incêndio destrói apartamento de babá de filha de Virginia Fonseca em Goiânia

Incêndio em edificação

Incêndio destrói apartamento de babá de filha de Virginia Fonseca em Goiânia

A babá Jaqueline Bianca relatou nas redes sociais que perdeu os bens que levou anos para conquistar...
Operação da PCDF mira consórcio do tráfico que movimentou R$ 1,3 milhão em 60 dias

Tráfico de drogas no DF

Operação da PCDF mira consórcio do tráfico que movimentou R$ 1,3 milhão em 60 dias

Investigação aponta que grupo comprava drogas em outros estados e distribuía os entorpecentes a t...
Uso de remédios sem prescrição pode causar intoxicação e agravar doenças

Alerta na saúde

Uso de remédios sem prescrição pode causar intoxicação e agravar doenças

Pesquisa indica que nove em cada dez brasileiros tomam medicamentos sem prescrição; especialistas ...
Pai de Meghan Markle é investigado após denúncia do próprio filho nas Filipinas

IMAGENS DE ABUSO INFANTIL

Pai de Meghan Markle é investigado após denúncia do próprio filho nas Filipinas

Thomas Markle Jr. diz ter encontrado imagens de abuso sexual infantil entre os pertences do pai, em ...
Ônibus serão gratuitos no domingo de eleição em Goiânia e região metropolitana

2º TURNO

Ônibus serão gratuitos no domingo de eleição em Goiânia e região metropolitana

Gratuidade valerá durante toda a operação da RMTC no dia 25; linhas terão frequência de dias ú...
Goiânia tem 34 parques, bosques e 4,4 km² de áreas verdes

memória goiana

Goiânia tem 34 parques, bosques e 4,4 km² de áreas verdes

Espaços municipais reúnem áreas de preservação ambiental, lazer e educação; dados apontam dif...
Goiânia terá quatro academias públicas ao ar livre

SAÚDE FÍSICA

Goiânia terá quatro academias públicas ao ar livre

Espaço no Jardim Guanabara tem equipamentos de musculação, aulas gratuitas com professores e capa...
Mega

QUE BOLADA!

Mega-Sena acumula em R$ 230 milhões; veja o resultado do concurso 3.073

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas nesta quinta-feira (22); quina teve 203 ganhadores, com prêm...