terça-feira, 27 de outubro de 2026
BRASIL X EUA

Lula diz ao Washington Post: ‘Trump sabe que sou melhor que Bolsonaro’

Ao veículo norte-americano, petista afirma que divergências políticas não interferem na relação entre chefes de Estado

Lalice Fernandespor em
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Lula defende a soberania e afirma que “quem abaixa a cabeça talvez não consiga erguê-la novamente” (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

A defesa de uma relação diplomática estável entre Brasil e Estados Unidos, mesmo em meio a divergências políticas, foi um dos pontos centrais da entrevista concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao jornal norte-americano The Washington Post, divulgada neste domingo (17). Durante a conversa, Lula afirmou que a relação pessoal com Donald Trump pode ajudar a impedir novas tarifas comerciais contra o Brasil e contribuir para ampliar investimentos norte-americanos no país.

O presidente declarou que mantém posições contrárias às defendidas pelo republicano em temas internacionais, mas afirmou separar divergências políticas da relação entre chefes de Estado.

“Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, disse. “Mas, minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, completou.

Segundo Lula, a política externa brasileira não será conduzida de maneira subordinada aos interesses de Washington. Ao jornal, o presidente afirmou que a estratégia diplomática do governo é baseada na defesa da soberania nacional. “Quem abaixa a cabeça talvez não consiga erguê-la novamente. O Brasil tem muito orgulho do que é. Não precisamos nos curvar a ninguém”, afirmou.

O líder brasileiro ainda comentou a relação entre Trump e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O petista disse que não vê problema na proximidade entre os dois e afirmou que não tentaria interferir nisso. “Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Isso é problema dele”, declarou. Lula ainda acrescentou: “Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso”.

 

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Lula afirma que se mantém disposto a atuar como mediador em conflitos

Ao comentar a situação de Cuba, disse acreditar que Havana aceitaria abrir negociações com Washington caso o diálogo ocorra sem exigências prévias. “O que eu sei é que se os Estados Unidos abrirem uma mesa de negociações, e não uma baseada em imposições, Cuba participará”, afirmou.

O petista declarou ainda que o Brasil permanece disposto a atuar como mediador em conflitos internacionais, mas ponderou que esse tipo de articulação depende da disposição dos governos envolvidos. “Só se pode mediar quando quem está no poder quer mediação”, disse.

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Lula e Donald Trump durante visita do petista a Casa Branca (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Sobre a presença chinesa na América Latina, Lula disse que Pequim ampliou espaço comercial na região. “A China descobriu e entrou na América Latina”, afirmou. “Hoje, meu comércio com a China é o dobro do meu comércio com os Estados Unidos. E essa não é a preferência do Brasil”, afirmou.

Apesar disso, o presidente afirmou que os Estados Unidos ainda podem ampliar a presença econômica no continente caso demonstrem interesse em fortalecer relações comerciais com os países latino-americanos. “Se os Estados Unidos quiserem passar para a frente da fila”, declarou, “ótimo. Mas eles precisam querer isso”.

Ao jornal norte-americano, Lula também criticou o enfraquecimento do multilateralismo e afirmou esperar que Trump seja convencido a fortalecer mecanismos de cooperação internacional. “Eu espero que o Trump possa ser persuadido de que os Estados Unidos podem desempenhar um papel muito mais importante fortalecendo a paz, a democracia e o multilateralismo. Vai ser difícil? Sim. Mas se eu não acreditasse em persuasão, eu não estaria na política”, afirmou.

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