Trump diz que acordo com Irã está perto e prevê reabertura do Estreito de Ormuz
Presidente dos Estados Unidos afirma que negociações avançaram e que detalhes finais devem ser anunciados em breve; Irã, porém, contesta versão americana sobre controle da rota marítima
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (23) que um acordo entre Washington e o Irã está “amplamente negociado” e pode representar um avanço importante para encerrar a guerra que já dura meses no Oriente Médio. Além disso, Trump declarou que o Estreito de Ormuz deverá ser reaberto, o que reduziria tensões no comércio internacional de petróleo e transporte no marítimo.
Segundo Trump, os detalhes finais do memorando de entendimento ainda estão sendo discutidos e devem ser divulgados “em breve”. Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que o acordo envolve os Estados Unidos, a República Islâmica do Irã e outros países da região. Ainda assim, ele reconheceu que alguns pontos podem sofrer alterações até a conclusão das negociações. Paralelamente, fontes ligadas às conversas afirmam que o texto prevê a redução gradual das sanções americanas e a reabertura parcial do Estreito de Ormuz.
Por outro lado, a agência estatal iraniana Fars negou a versão apresentada por Trump. De acordo com o governo iraniano, o estreito continuará sob controle de Teerã e não haverá “livre passagem” como antes da guerra. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que qualquer decisão sobre a hidrovia deverá ser tomada em conjunto entre o Irã, Omã e os demais países da região, sem participação direta dos Estados Unidos. Além disso, autoridades iranianas reforçaram que o país não pretende abrir mão de seu programa nuclear.
Enquanto isso, líderes regionais seguem atuando como mediadores nas negociações. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, elogiou os “esforços extraordinários” de Trump para buscar a paz. Segundo ele, uma série de conversas telefônicas entre os Estados Unidos e países do Golfo, além de Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão, ajudou a aproximar posições. O governo paquistanês afirmou que as negociações das últimas 24 horas trouxeram “progressos encorajadores” rumo a um entendimento final.
Além das tratativas com os países árabes, Trump também conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O governo israelense acompanha as negociações com preocupação, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano e ao enriquecimento de urânio. Apesar do clima de otimismo demonstrado pela Casa Branca, líderes iranianos mantiveram um discurso duro. O negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou que o país “não recuará dos direitos da nação” e alertou que uma retomada da guerra poderia provocar consequências ainda mais graves para os Estados Unidos.