Hábito de coçar os olhos pode favorecer avanço do ceratocone, doença comum entre jovens
Muitos pessoas não percebem a frequência com que esfregam os olhos ao longo do dia
Coçar os olhos com frequência, comportamento comum entre pessoas que sofrem com alergias, irritação ou cansaço ocular, pode contribuir para o desenvolvimento e agravamento do ceratocone, doença que afeta a córnea e compromete a qualidade da visão. O alerta é especialmente direcionado a adolescentes e jovens adultos, faixa etária em que a condição costuma se manifestar.
De acordo com dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 150 mil brasileiros desenvolvem ceratocone todos os anos. A doença geralmente surge antes dos 30 anos e pode evoluir de forma gradual, tornando o diagnóstico precoce fundamental para evitar complicações.
O ceratocone provoca o afinamento e a deformação progressiva da córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho. Com a alteração de seu formato, a capacidade de focalização das imagens fica comprometida, resultando em distorções visuais e redução da acuidade visual.
Os sintomas iniciais costumam ser discretos e, muitas vezes, confundidos com problemas refrativos comuns. Entre os sinais mais frequentes estão visão embaçada, mudanças constantes no grau dos óculos, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz e sensação de que os óculos já não oferecem a mesma correção visual de antes.
Especialistas destacam que consultas oftalmológicas regulares são essenciais para identificar a doença ainda em estágios iniciais. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de controlar a progressão do ceratocone e preservar a qualidade da visão do paciente.
Um dos principais fatores de atenção em relação ao ceratocone é o hábito de coçar os olhos. Segundo o oftalmologista Marco Túlio Chater, especialista em córnea e cirurgias refrativas do Hospital de Olhos de Palmas, o comportamento pode contribuir para o agravamento da doença, especialmente em pessoas que apresentam predisposição genética ou sofrem com alergias e rinite.
De acordo com o especialista, o atrito repetitivo sobre a superfície ocular provoca uma pressão constante na córnea, favorecendo alterações estruturais que podem acelerar a progressão do ceratocone. “Muitos pacientes não percebem a frequência com que esfregam os olhos ao longo do dia, mas esse hábito pode impactar diretamente a evolução da doença”, explica.
Outro desafio é que os sintomas iniciais costumam ser confundidos com problemas comuns de refração. Alterações frequentes no grau dos óculos, piora progressiva da visão e dificuldade para enxergar mesmo com correção adequada estão entre os sinais que merecem investigação oftalmológica.
Embora não tenha cura, o ceratocone pode ser controlado quando diagnosticado precocemente. Atualmente, existem tratamentos capazes de retardar ou interromper a evolução da doença, como o crosslinking corneano, procedimento utilizado para fortalecer a córnea. O uso de lentes especiais também pode auxiliar na melhora da qualidade visual. Em situações mais graves, o transplante de córnea pode ser indicado.
Segundo Marco Túlio Chater, os avanços nos tratamentos têm reduzido significativamente os riscos de comprometimento visual. “Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de controlar a doença e preservar a visão do paciente”, afirma.
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