sábado, 17 de outubro de 2026
Eleições 2026

Daniel Vilela enfrentará oposição mais consolidada que Caiado

Especialistas avaliam que governador encontrará um cenário eleitoral mais competitivo com Wilder Morais e Marconi Perillo no páreo, mas divergem sobre o potencial de união da oposição em eventual 2º turno

Thiago Borgespor em
Daniel Vilela enfrentará oposição mais consolidada que Caiado
Emedebista deverá enfrentar uma oposição mais estruturada do que a encontrada pelo ex-governador em 2018 e 2022 | Fotos: Divulgação/Secom Goiás e Reprodução

Depois de duas eleições marcadas pelo amplo favoritismo do governador Ronaldo Caiado (PSD), a disputa pelo Palácio das Esmeraldas em outubro deve ocorrer em um ambiente mais competitivo. Embora o governador Daniel Vilela (MDB) apareça na dianteira das pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento, o emedebista deverá enfrentar uma oposição mais estruturada do que a encontrada por Caiado em 2018 e 2022. 

Para o mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Lehninger Mota, a conjuntura é distinta da enfrentada por Caiado. Segundo Mota, a vitória de 2018 ocorreu em meio ao desgaste de mais de duas décadas de governos do PSDB, enquanto a reeleição, quatro anos depois, aconteceu diante de uma oposição enfraquecida. No mesmo espectro político, Daniel tem a concorrência do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e do senador Wilder Morais (PL).

“A oposição hoje é muito mais consolidada. Tem o Marconi, que reduziu parte da rejeição, e principalmente o bolsonarismo, que tem muita força no Estado e é representado pelo Wilder. Isso faz com que a competição seja maior do que em 2018 e 2022”, afirma Mota em conversa com a reportagem do O HOJE.

O cientista também avalia que a dedicação de Caiado ao projeto nacional reduz parcialmente a capacidade de transferência de votos para Daniel. “O Caiado é o grande puxador de votos. O Daniel ainda depende muito dessa articulação e da manutenção da base unida”, diz.

Já o doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Guilherme Carvalho, faz uma leitura mais cautelosa. Para o professor, Marconi, por ser conhecido, inicia a disputa com um patrimônio eleitoral relevante, mas também enfrenta um teto de crescimento limitado pela alta rejeição.

“O Marconi tem um piso alto porque possui recall de quatro mandatos, mas também um teto baixo por causa da rejeição acumulada ao longo dos anos”, analisa. “Ele tem uma rejeição que os outros dois candidatos não têm”, pondera Carvalho em entrevista ao O HOJE. 

Mais condições de fazer frente

O cientista político diz acreditar que Wilder possui mais condições de fazer frente ao projeto governista, até porque em um eventual segundo turno entre o senador e emedebista, Daniel perderia a possibilidade de negociar com o bolsonarismo e com o eleitor mais à direita. “Se o PL for para o segundo turno e não o Marconi, aí sim a oposição vem forte porque vão ser dois blocos que não tem a possibilidade de negociar, porque eles vão jogar um contra o outro”, avalia Carvalho.

O professor da UFG ainda afirma que há um elevado grau de indefinição do eleitorado, o que recomenda cautela na projeção dos cenários. “As pesquisas mostram que em torno de 60% do eleitorado ainda não tem certeza ou não sabe em quem vai votar.” Na avaliação de Carvalho, o desenho do segundo turno pode ser mais determinante do que a força individual dos candidatos.

Já Mota entende que, independentemente de quem avance à segunda etapa da disputa, Daniel terá dificuldade em ter apoio de um dos derrotados no primeiro turno, em razão das críticas que devem ser concentradas ao governador durante a campanha eleitoral.

“O grande alvo vai ser o Daniel. Independente se vai ter um apoio explícito, implicitamente fica claro para os eleitores de ambos, Marconi e Wilder, que o Daniel Vilela é o inimigo a ser batido”, afirma Mota. 

“A tendência é que isso seja mostrado durante a campanha, com as prováveis críticas de que ele será o adversário a ser batido. Essa migração de votos pode ser um tanto quanto natural, com o eleitor entendendo que o seu candidato não era favorável ao Daniel”, frisa o cientista.

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