sexta-feira, 3 de julho de 2026
CERIMÔNIA DE LUTO

Funeral de Khamenei mobiliza Teerã sob forte esquema de segurança e reúne delegações internacionais

Cerimônia em homenagem ao ex-líder supremo iraniano deve ser a maior da história recente do país, em meio a tensão regional e forte simbolismo religioso

Luma Silveirapor Luma Silveira em 3 de julho de 2026
Irã
Última homenagem a Khamenei reúne multidão nas ruas em ato marcado por luto e tensão no Irã | Foto: ANADOLU VIA GETTY IMAGES

O Irã iniciou nesta sexta-feira as cerimônias de despedida de Ali Khamenei, ex-líder supremo do país, morto aos 86 anos após um ataque aéreo atribuído a Israel e aos Estados Unidos. O corpo foi levado para um dos principais complexos religiosos de Teerã, onde milhares de pessoas começaram a prestar homenagens em uma cerimônia marcada por forte carga política, religiosa e simbólica.

Desde as primeiras horas do dia, a capital iraniana passou a operar sob um rígido esquema de segurança. Vias foram bloqueadas, o tráfego de veículos foi severamente restringido e grandes áreas centrais ficaram sob vigilância reforçada das forças de segurança, transformando Teerã em uma espécie de fortaleza.

O funeral, adiado por meses em razão do conflito regional, deve reunir representantes de mais de 100 países, incluindo líderes políticos, autoridades militares e delegações diplomáticas de aliados históricos do regime iraniano. A presença internacional reforça o peso geopolítico de Khamenei, que comandou o Irã por mais de três décadas e se consolidou como uma das figuras mais influentes do Oriente Médio.

A despedida também expõe a dimensão religiosa da liderança de Khamenei dentro da estrutura teocrática iraniana. Mais do que chefe de Estado, ele era tratado por setores do regime como uma autoridade espiritual central do islamismo xiita, posição que amplia o simbolismo de sua morte.

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O caixão, coberto por símbolos religiosos e nacionais, permanece exposto para visitação pública. Próximo a ele também estão os caixões de familiares mortos nos ataques que atingiram o círculo próximo do antigo líder, incluindo parentes diretos.

Bandeiras pretas de luto e vermelhas, associadas à ideia de martírio e vingança, tomaram ruas, prédios públicos e espaços religiosos da capital. O cenário reforça a narrativa adotada pelo regime de que Khamenei morreu como mártir da República Islâmica.

Sucessão ainda gera dúvidas, mas funeral mostra força

Embora Mojtaba Khamenei tenha assumido a liderança suprema após a morte do pai, sua ausência nas cerimônias chamou atenção e alimentou especulações sobre seu estado de saúde e seu papel político nos bastidores. Ferido durante os ataques, o novo líder ainda não fez aparições públicas. A sucessão continua sendo observada com cautela, principalmente diante das tensões internas e da pressão externa sobre o regime.

A cerimônia ocorre em um momento delicado para o Irã. Apesar de um cessar-fogo frágil com adversários regionais, o país segue sob forte tensão militar e política. O governo iraniano também enfrenta desgaste interno após meses de protestos e críticas relacionadas à economia e ao custo de vida.

Após a passagem por Teerã, o cortejo seguirá para outras cidades sagradas do xiismo antes do sepultamento definitivo em Mashhad, um dos principais centros de peregrinação do país.

Autoridades iranianas esperam uma mobilização histórica. A última grande despedida de um líder supremo, em 1989, levou milhões de pessoas às ruas. Desta vez, o regime tenta transformar o funeral em uma demonstração de força, unidade e resistência diante da pressão internacional.

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