A maior festa religiosa do Centro-Oeste brasileiro começou a partir de um pequeno objeto de barro com cerca de nove centímetros. Encontrado em 1840 por um casal de lavradores no então arraial de Barro Preto, atual Trindade (GO), o medalhão é considerado o marco inicial da devoção ao Divino Pai Eterno, que hoje reúne milhões de romeiros todos os anos.
Preservada no Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, a peça original permanece guardada em um relicário e, devido à sua fragilidade, é exibida ao público apenas em ocasiões especiais. Pela primeira vez, o medalhão foi apresentado ao vivo durante uma edição do Jornal Anhanguera.
Como surgiu a devoção ao Divino Pai Eterno
De acordo com a tradição católica, os lavradores Constantino Xavier e Ana Rosa de Oliveira preparavam a terra para o plantio quando encontraram o medalhão. A peça traz a imagem da Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora.
Interpretando o achado como um sinal divino, o casal levou o objeto para casa e montou um pequeno altar. Com o passar do tempo, familiares, vizinhos e moradores da região passaram a se reunir no local para momentos de oração.
Os relatos de graças alcançadas pelos devotos contribuíram para o crescimento da fé no Divino Pai Eterno e transformaram o pequeno povoado em um dos principais destinos de peregrinação religiosa do Brasil.
De objeto simples à maior romaria do Centro-Oeste
Segundo o reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, padre Marco Aurélio Martins, o medalhão representa a forma como a fé cristã valoriza a simplicidade.
“Aqui se demonstra a grandeza do coração de Deus, que se revela na simplicidade. Das coisas simples é que o grande acontece”, afirmou.
O sacerdote destacou ainda que o tamanho reduzido do objeto contrasta com a dimensão da celebração religiosa construída ao longo dos anos.
“Um medalhão de nove centímetros dá início a uma romaria desse tamanho, com uma festa que reúne mais de quatro milhões de pessoas, porque Deus assim quis celebrar”, disse.
Marca no medalhão alimenta tradição entre os fiéis
Um dos detalhes que mais chama a atenção dos devotos é o desgaste no rosto da imagem presente no medalhão. Segundo uma tradição popular, a marca teria sido provocada pela enxada de Constantino Xavier no momento em que a peça foi encontrada durante o trabalho na lavoura.
Leia mais:
Para o padre Marco Aurélio Martins, a imagem reforça a mensagem cristã de esperança e amor.
“Jesus é quem nos mostra o rosto do Pai. O rosto do Pai é um rosto de amor, de esperança e de vida”, ressaltou.
Medalhão inspirou imagem venerada até hoje
Com o desgaste natural da peça original ao longo dos anos, Constantino Xavier encomendou ao escultor Veiga Valle, em Pirenópolis, uma imagem inspirada no medalhão para preservar a devoção.
A escultura passou a ser utilizada nas celebrações religiosas e tornou-se um dos principais símbolos da Romaria do Divino Pai Eterno. Já o medalhão original continua sob os cuidados do Santuário Basílica, sendo retirado do relicário apenas em ocasiões especiais devido ao seu estado de conservação.
A história da pequena peça de barro segue como um dos maiores símbolos da fé dos romeiros que, todos os anos, percorrem quilômetros até Trindade para participar da tradicional festa dedicada ao Divino Pai Eterno.