Emenda do PL sobre racismo gera reação na Câmara
Texto foi aprovado em comissão da Câmara e propõe que determinadas manifestações não sejam enquadradas no crime equiparado ao racismo, desde que não incentivem violência ou discriminação
Uma emenda apresentada por parlamentares do PL ao Projeto de Lei 896/2023, conhecido como PL da Misoginia, provocou reação de deputados da oposição após ser aprovada na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados. O texto estabelece que manifestações de opinião, convicção religiosa, filosófica, científica, acadêmica ou política não sejam enquadradas no crime previsto pela proposta, desde que não configurem incitação direta e inequívoca à violência ou à prática de discriminação proibida em lei.
O requerimento foi apresentado pelo deputado Capitão Alden (PL-BA) e recebeu as assinaturas dos deputados Sargento Fahur (PL-PR), Sargento Gonçalves (PL-RN) e Alberto Fraga (PL-DF). Além da ressalva relacionada às manifestações de opinião, a emenda também altera a redação do projeto para definir como conduta punível a prática dolosa de discriminação contra mulheres em razão do sexo. Na justificativa, os autores afirmam que as mudanças buscam reduzir a subjetividade da proposta e garantir segurança jurídica, preservando, segundo eles, direitos constitucionais como a liberdade de expressão, de consciência, religiosa e de ensino.
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A aprovação da emenda foi criticada por parlamentares da oposição. A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) classificou o texto como um incentivo ao discurso de ódio contra as mulheres e afirmou que a alteração compromete a eficácia da futura legislação. Nas redes sociais, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) também criticou a proposta, argumentando que, se aprovada juntamente com o projeto principal, a emenda poderá modificar o alcance da equiparação da misoginia ao crime de racismo prevista no texto original.
O PL da Misoginia já foi aprovado pelo Senado Federal e tramita atualmente na Câmara dos Deputados. Em 1º de julho, os deputados aprovaram o regime de urgência da proposta por 293 votos favoráveis e 158 contrários, acelerando sua análise em plenário. A emenda aprovada na comissão ainda precisará ser apreciada durante a tramitação legislativa antes da votação final do projeto.
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