sexta-feira, 14 de agosto de 2026
POLÍTICA

Maior aliança deve dar a Celina vantagem no horário eleitoral no DF, dizem especialistas

Com apoio de 12 partidos, governadora desponta com vantagem no horário eleitoral gratuito. Especialistas avaliam que a exposição pode fortalecer a campanha, mas afirmam que redes sociais, avaliação da gestão e campanha de rua seguem decisivas.

Jéssica Nascimentopor Jéssica Nascimento em
Maior aliança deve dar a Celina vantagem no horário eleitoral no DF, dizem especialistas
Governadora do DF Celina Leão (Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília)

A formação das alianças para as eleições de 2026 começa a desenhar um dos principais trunfos da disputa pelo Governo do Distrito Federal: o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Com a maior coalizão anunciada até o momento, a governadora Celina Leão (PP) deve concentrar a maior fatia do horário eleitoral gratuito. A base governista reúne 12 partidos: PP, União Brasil, MDB, PL, Republicanos, Podemos, Cidadania, Mobiliza, Agir, Democracia Cristã (DC), Democrata e PRTD.

Enquanto isso, o principal bloco da oposição de esquerda deve ser formado pela federação composta por PT, PV e PCdoB, que ainda busca ampliar o arco de alianças para a disputa ao Palácio do Buriti. O tempo oficial de propaganda, entretanto, só será divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a homologação das coligações e o cálculo baseado na representação dos partidos na Câmara dos Deputados.

Como é calculado o tempo de propaganda

O advogado especialista em Direito Eleitoral Newton Lins explica que a divisão do horário eleitoral segue critérios definidos pela Lei das Eleições e pelas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo ele, uma pequena parcela do tempo é distribuída igualmente entre todos os candidatos, enquanto a maior parte leva em consideração o tamanho das bancadas federais dos partidos que integram cada coligação.

“Dez por cento do tempo são repartidos igualmente entre todas as candidaturas. Os outros 90% são distribuídos proporcionalmente à bancada federal dos partidos que compõem cada coligação ou federação.”

No caso das federações partidárias, como a formada por PT, PV e PCdoB, as legendas são consideradas uma única sigla para efeito do cálculo.

“A federação recebe tratamento de partido único, e sua bancada é computada de forma unificada.”

Coligação ampla amplia vantagem

Na avaliação de Newton Lins, a composição política construída por Celina Leão tende a colocá-la em posição privilegiada durante a propaganda eleitoral.

Embora ressalte que o tempo oficial ainda não possa ser estimado, o especialista afirma que a tendência é de liderança da governadora na divisão do horário gratuito.

“Uma coligação com doze partidos tende a liderar o tempo de propaganda. Hoje existe uma tendência estrutural, mas ainda não uma projeção matemática.”

Para ele, mais tempo representa uma oportunidade importante para consolidar a imagem da candidatura.

“Ter mais tempo permite apresentar propostas, responder críticas, reforçar a imagem da gestão e testar diferentes narrativas durante a campanha.” O advogado, porém, faz uma ressalva: “Tempo de rádio e televisão é uma faca de dois gumes. Não basta ter muitos minutos; é preciso saber utilizá-los.”

TV ainda faz diferença?

Apesar do crescimento das redes sociais, os especialistas avaliam que o horário eleitoral continua exercendo influência sobre parte significativa do eleitorado.

Para o cientista político Gustavo Castro, do UniProcessus, a televisão deixou de ser protagonista absoluta, mas continua sendo um instrumento importante para campanhas majoritárias.

“O horário eleitoral continua relevante, mas seu papel mudou. Ele não decide sozinho uma eleição, porém oferece alcance, repetição e capacidade de construir uma narrativa.”

Segundo Castro, a propaganda na TV produz efeitos que vão além dos programas exibidos. “Os conteúdos apresentados acabam repercutindo nas redes sociais, em aplicativos de mensagens e na cobertura da imprensa, ampliando seu alcance.”

Mais partidos, mais estrutura

Na visão do cientista político, a principal vantagem de uma coligação ampla não está apenas no tempo de televisão. Ela também representa maior presença nas regiões administrativas, mais candidatos proporcionais trabalhando pela chapa majoritária, estrutura partidária e capacidade de mobilização.

“A reunião de doze partidos demonstra uma tentativa de concentrar grande parte do centro e da direita do Distrito Federal em torno de uma única candidatura.”

Ainda assim, Gustavo Castro pondera que alianças numerosas também exigem coordenação política.

“Uma grande coligação oferece recursos importantes, mas não substitui uma mensagem clara nem garante transferência automática de votos.”

Campanha vai além da televisão

Newton Lins destaca que o Distrito Federal possui características próprias e que o contato direto com o eleitor continua sendo um diferencial importante. Segundo ele, o crescimento do eleitorado acima de 60 anos faz com que a campanha tradicional ainda tenha peso na capital.

“Continuo apostando nos três ‘S’ da campanha: suor, sola de sapato e saliva.” O especialista afirma que, embora as redes sociais tenham mudado a dinâmica das eleições, o corpo a corpo permanece essencial.

“Não basta aparecer na televisão ou nas redes sociais. Quem pretende governar o Distrito Federal precisa conhecer os problemas de perto.”

Vantagem, mas sem garantia

Para os especialistas, a tendência de Celina Leão liderar o tempo de propaganda representa um ativo estratégico para a campanha à reeleição, sobretudo pela possibilidade de apresentar realizações da gestão e responder aos adversários.

Entretanto, ambos ressaltam que o horário eleitoral gratuito, isoladamente, não determina o resultado das urnas.

“O tempo de televisão amplia forças e fragilidades que a candidatura já possui. Ele pode fortalecer uma campanha consistente, mas não cria, sozinho, um candidato vencedor”, reforça o cientista político Gustavo Castro.

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