PT oficializa Cesar Bueno ao Governo de Goiás com PDT na vice e Senado indefinido
Convenção homologou a candidatura do petista ao Palácio das Esmeraldas, confirmou o advogado Carlos Mundim (PDT) como vice e deixou em aberto a definição das duas candidaturas ao Senado, em meio ao impasse entre PSB e PCdoB
O PT oficializou neste sábado (1°) a candidatura do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno ao governo do Estado, com o advogado Carlos Mundim (PDT) como candidato a vice, na convenção estadual da legenda. O partido reuniu a militância e dirigentes partidários aliados no salão do Sindsaúde para firmar a maior coligação de partidos de centro-esquerda em Goiás desde 2002.
A coligação aprovada na convenção reúne os partidos da federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), a federação PSOL/Rede, PDT e PSB. Os mandatários de todas as legendas da coligação estavam presentes no evento, com exceção da presidente estadual do PSB, a vereadora Aava Santiago.
Em seu primeiro discurso como candidato ao Governo de Goiás, Cesar Bueno enfatizou que a defesa do legado do partido no Estado irá nortear sua campanha. O petista reivindicou as gestões dos ex-prefeitos de Goiânia Darci Accorsi, Pedro Wilson Guimarães e Paulo Garcia e ressaltou que irá percorrer o Estado defendendo as obras do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O candidato afirmou que a coligação começou a ser articulada após um pedido da direção nacional do PT, que cobra da direção estadual a formação de um palanque robusto para Lula em Goiás. Cesar Bueno também convocou a militância presente para construir uma campanha capaz de converter os votos recebidos por Lula em apoio aos candidatos da frente progressista. O chefe do Executivo teve 1.542.115 votos dos goianos (41,29%) no 2° turno das eleições presidenciais de 2022.
Questionada pelo O HOJE sobre a decisão de não ser candidata ao governo, a presidente estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi, afirmou que a “estratégia de crescimento do partido” mostrou que neste momento “era mais importante disputar a reeleição, até para impulsionar novas candidaturas e eleições de outros deputados do partido”.
Uma eventual candidatura da parlamentar era um desejo do presidente. Segundo Accorsi, Lula afirmou que apoiaria qualquer que fosse a decisão da deputada. “Ele me disse que me apoiaria no que eu entendesse que era melhor para o partido e para o nosso projeto de país. Foi aí que disse que deveria ir à reeleição”, explicou a deputada. Accorsi ainda confirmou que Lula virá para o Estado durante o período de campanha eleitoral.

Senado segue indefinido
Apesar da confirmação da candidatura de Cesar Bueno com apoio das legendas de centro-esquerda, apenas o PDT, que indicou a vice, foi oficialmente contemplado com espaço na chapa majoritária.
Isso porque o impasse envolvendo as indicações para o Senado Federal persiste e nenhum nome à Casa Alta foi confirmado na convenção deste sábado. Como já mostrado pelo O HOJE, o acordo ainda não foi firmado em razão da disputa do PSB e do PCdoB pela segunda indicação ao Senado na chapa petista.
O acordo posto entre os dirigentes deve garantir a primeira vaga ao Senado à federação PSOL/Rede, que deve indicar a presidente psolista em Goiás, Cíntia Dias. A segunda vaga está entre o ex-deputado federal Aldo Arantes (PCdoB) e a ex-deputada estadual Isaura Lemos (PSB), que marcaram presença no evento.
Em entrevista coletiva, Isaura afirmou que o PSB quer “estar junto com o PT” e que a legenda trabalha para viabilizar uma “senatória de esquerda” no Estado. Segundo a pré-candidata, a resolução nacional leva em conta os acordos em outros estados, mas, principalmente, o que cada partido pode contribuir para o candidato ao governo.
“Nós temos o segundo maior tempo de televisão. É importantíssimo que nós estejamos com mais tempo para divulgar os programas sociais, as mudanças importantes que fizemos no governo”, afirmou Isaura. Questionada sobre uma possível saída do PSB da coligação caso a sigla não tenha uma vaga ao Senado, a pré-candidata disse que não poderia responder em nome da presidente do partido.
Já Aldo defendeu que “critérios políticos” fossem estabelecidos na escolha dos candidatos ao Senado. “Quem é que tem maior densidade eleitoral em Goiás e, portanto, tem condições de dar uma maior contribuição? Concretamente, eu tive, na última eleição que participei, quase 70 mil votos”, disse o pré-candidato do PCdoB. Arantes ressaltou, porém, que a decisão ficará a cargo do acordo entre as direções nacionais.
Durante entrevista coletiva, o presidente do PDT, Kowalsky Ribeiro, saiu em defesa das candidaturas de Cíntia Dias e Aldo Arantes e criticou a ausência de Aava Santiago. “São sinais claros que na política nós não podemos negar. Cadê a presença da presidente do PSB? Se a presidente do PSB não vem à convenção da Frente Democrática de Goiás, eu não tenho como defender um candidato do PSB”, disparou Kowalsky.
“Quem esteve aqui? Foi o presidente do PCdoB, Honorio Rocha, que colocou o nome do Aldo Arantes, e a presidente do PSOL, Cíntia Dias, colocando o próprio nome. O PDT vai acompanhar a Cíntia e o Aldo, que é quem está aqui conosco, quem nós estamos vendo”, disse o mandatário.
Ao comentar sobre a possibilidade do PSB deixar a coligação, Cesar Bueno afirmou que a coligação nacional com os pessebistas “custou muito caro” ao PT para que houvesse aliança em todos os estados.
O petista citou como exemplo as eleições em Pernambuco, em que o PT decidiu apoiar o presidente nacional do PSB, João Campos, que aparece atrás da governadora Raquel Lyra (PSD) nas pesquisas. Apesar disso, o petista afirmou que o partido mantém uma “excelente relação” com Aava e que a “afinidade continuará no processo eleitoral”.
Chapa proporcional
A convenção também oficializou os candidatos da federação Brasil da Esperança para a disputa de vagas na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e na Câmara dos Deputados. Para a Câmara Federal, a federação terá chapa completa, composta por 18 candidatos: 14 do PT, dois do PCdoB e dois do PV.
Já para a Alego, a federação não apresentará chapa completa, ficando com uma candidatura a menos do que o limite permitido pela legislação eleitoral. Ao todo, serão 41 candidatos, sendo 37 do PT, dois do PCdoB e dois do PV.
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