Crise política ameaça permanência de Infantino no comando da Fifa
Presidente enfrenta forte oposição após fracasso de projeto de privatização e vê crescer movimento contrário à sua reeleição em 2027
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, atravessa o momento mais delicado de sua gestão à frente da entidade máxima do futebol mundial. A crise ganhou força após o fracasso do projeto de privatização de ativos da organização, proposta retirada poucos dias depois de ser apresentada diante da forte resistência de federações, confederações e representantes do futebol internacional.
O desgaste ocorre em um momento decisivo, já que a próxima eleição presidencial da Fifa está marcada para março de 2027, durante o Congresso da entidade em Rabat, no Marrocos. Nos últimos dias, federações como Inglaterra, País de Gales, Suécia, Sérvia e Finlândia manifestaram publicamente oposição à permanência de Infantino no cargo, ampliando a pressão sobre o dirigente suíço.
A eleição da Fifa segue um modelo de igualdade entre as 211 federações filiadas. Cada associação nacional possui direito a um voto, independentemente de seu tamanho ou relevância esportiva. Para vencer ainda no primeiro turno, um candidato precisa alcançar dois terços dos votos válidos. Caso isso não aconteça, um segundo turno é realizado entre os concorrentes remanescentes.
Entre os possíveis nomes para disputar a presidência estão Victor Montagliani, atual presidente da Concacaf e vice-presidente da Fifa, o ex-jogador croata Zvonimir Boban, o dirigente romeno Rzvan Burleanu e a presidente da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness.
O estopim da crise foi a proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que concentraria a gestão comercial das principais competições organizadas pela entidade, incluindo a Copa do Mundo masculina, a Copa do Mundo Feminina e o Mundial de Clubes. Pelo plano, entre 20% e 21% da empresa seriam vendidos a investidores privados.
A Fifa avaliava a nova companhia em cerca de US$ 20 bilhões, o que permitiria arrecadar aproximadamente US$ 4,2 bilhões com a venda de participações minoritárias. A entidade defendia que os recursos seriam utilizados para ampliar os repasses financeiros às federações nacionais.
A proposta, porém, gerou forte reação de dirigentes, atletas e entidades do futebol, que criticaram a falta de transparência nas discussões e demonstraram preocupação com a influência do capital privado sobre as principais competições do esporte.
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