quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Eleições 2026

Capilaridade com o agro é desejo dos candidatos ao Governo de Goiás, apontam especialistas 

Candidatos ao Palácio das Esmeraldas disputam entre si o respaldo do setor; especialistas destacam potência no interior como um dos ativos eleitorais do segmento

Thiago Borgespor em
Capilaridade com o agro é desejo dos candidatos ao Governo de Goiás, apontam especialistas 
A aproximação dos governadoriáveis com o setor aparece em diferentes estratégias eleitorais | Fotos: Reprodução/Facebook e Y. Maeda

Desde o início da pré-campanha pelo Palácio das Esmeraldas, o agronegócio se consolidou como o segmento disputado pelos candidatos ao Governo de Goiás. A aproximação dos governadoriáveis com o setor aparece em diferentes estratégias eleitorais.

O governador Daniel Vilela (MDB) aposta no histórico do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) com o segmento para ampliar o apoio do setor ao seu projeto de reeleição. O senador Wilder Morais (PL) acredita que a proximidade do agro com o bolsonarismo irá alavancar o diálogo de seu projeto com o setor. Ambos também apostam na relação com os grupos políticos da região Sudoeste, expoente da agroindústria goiana — Daniel com Rio Verde e Wilder com Jataí.

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) escolheu a produtora rural de Rio Verde, Jacqueline Zaiden, para ocupar a vice em sua chapa. Durante sua campanha, o tucano promete destrinchar as críticas ao Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), conhecido como “taxa do agro”. O PT também considerou uma aproximação mais direta com o setor ao cogitar o nome do produtor rural Flávio Faedo para a disputa pelo governo.

Para o professor da PUC-GO e cientista político, Pedro Pietrafesa, a busca pelo agro tem relação com a necessidade dos candidatos de ampliar a capilaridade política com o principal setor da economia do Estado.

“A busca pelo agro nessas eleições, mais do que em outras, quer demonstrar para o eleitor goiano uma capilaridade que o candidato vai ter junto ao principal setor da economia goiana”, explica Pietrafesa ao O HOJE. “É a identidade do Estado do ponto de vista econômico e tecnológico. Uma boa parte do agro no Estado aplica, no seu ciclo produtivo, uma série de instrumentos com alta tecnologia”.

Segundo Pietrafesa, a capilaridade do setor gira em torno, principalmente, de uma parte da população no interior do Estado. Porém, o professor reforça que o peso eleitoral do agro não se resume ao número de produtores diretamente ligados à atividade e lembra que a força econômica do setor movimenta cadeias de serviços, comércio e indústria.

“É uma questão de busca de votos, de você criar essa identidade com esse setor econômico importante no estado de Goiás. É a ideia de mostrar para o eleitor que você tem essa permeabilidade junto ao agro”, afirma o professor da PUC-GO.

O professor da UFG e cientista político, Guilherme Carvalho, também destaca a força política do segmento. Para Carvalho, a influência do agro na política alcança a formulação de projetos de infraestrutura e políticas públicas.

“A Faeg [Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás], por exemplo, exerce uma forte influência e é chamada para as mesas de decisão sobre obras de infraestrutura, pensando em logística para o agro. Exercem influência para pensar em questões tributárias. É um setor que movimenta muito dinheiro, gera empregos na agroindústria, mas também para pequenos produtores”, destaca o professor da UFG ao O HOJE.

O cientista político afirma que a presença de representantes do agro nas decisões governamentais faz com que o setor busque espaço direto na política institucional. Carvalho citou o deputado federal Daniel Agrobom (PSD) e o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Lissauer Vieira (PL), como exemplos de representações do setor na política, além do presidente da Faeg, José Mário Schreiner, que esteve cotado para ser vice de Daniel.

“Não é que seja objeto de desejo, o agro vem ocupando esses espaços. O setor constitui entidades da sociedade civil para a defesa dos seus interesses, para uma representação legítima de lobby mesmo, em prol das demandas do setor. Ao mesmo tempo, tem buscado fazer isso partidariamente. Não é que é desejo, o agro buscou o espaço enquanto um setor organizado”, explica Carvalho.

Segundo o cientista, a lógica faz com que, cada vez mais, os empresários rurais ocupem espaço nos setores da política institucional. “Os empresários [rurais] financiaram campanhas nas eleições municipais, venceram eleições municipais e agora estão ocupando também esses espaços nas eleições gerais e estaduais. Eles possuem seus representantes, mas eles próprios têm se tornado os representantes”, concluiu Carvalho.

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