PF amplia investigação sobre diretores do BRB no caso Master
Perícia encontrou possíveis falhas em operações bilionárias e levou as autoridades a pedir mais prazo para concluir a apuração sobre o banco.
As operações que levaram o Banco de Brasília (BRB) a desembolsar bilhões de reais na compra de carteiras do Banco Master passaram a ser analisadas também sob a ótica da atuação de outros integrantes da diretoria da instituição. Uma perícia da Polícia Federal (PF) encontrou indícios de que procedimentos internos e regras de governança podem ter sido descumpridos durante as negociações.
O material foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e levou a PF a solicitar mais 60 dias para avançar nas investigações. A corporação ainda pretende colher novos depoimentos e analisar documentos e outros materiais apreendidos no decorrer do inquérito. O pedido está sob análise do ministro André Mendonça, relator do caso.
A nova perícia da PF foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Entre os pontos identificados pelos peritos estão possíveis falhas nos mecanismos de controle do BRB e a aprovação de operações em desacordo com os procedimentos internos previstos pela instituição. As suspeitas alcançam integrantes da diretoria colegiada.
O inquérito apura possíveis fraudes financeiras envolvendo a relação entre o BRB e o Master. Segundo a investigação, o banco de Brasília destinou cerca de R$ 12 bilhões à aquisição de carteiras de crédito vinculadas ao Master mas que, de acordo com a PF, não pertenciam ao banco de Daniel Vorcaro e não apresentavam garantias suficientes.
Uma das operações sob análise envolve a Tirreno Consultoria. A empresa teve carteiras de crédito consignado adquiridas pelo Master por R$ 6,3 bilhões. Posteriormente, os mesmos ativos foram vendidos ao BRB por R$ 11,5 bilhões.
A perícia apontou que a estrutura operacional da Tirreno seria incompatível com o tamanho da operação financeira realizada. A PF também identificou indícios de que as carteiras negociadas não tinham lastro, o que levantou suspeitas sobre a qualidade dos ativos adquiridos pelo BRB.
As autoridades pretendem aprofundar a apuração sobre essas transações e esclarecer quem participou das decisões, como os negócios foram aprovados e se os procedimentos adotados pela instituição seguiram as normas internas.
Único preso
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é, até o momento, o único integrante da instituição mantido em prisão preventiva no âmbito do caso. A Procuradoria-Geral da República (PGR) recusou a proposta de delação premiada do ex-dirigente.
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